O Departamento de Estado americano ordenou nesta terça-feira a saída dos funcionários não-essenciais do governo americano e de suas famílias do Egito, em meio aos crescentes protestos contra o governo do ditador Hosni Mubarak --que já reúnem 1 milhão nas ruas --e da incerteza sobre a segurança no país.
O órgão informou que adotou a medida levando em consideração os "eventis mais recentes". A ordem é reflexo da preocupação do governo de Washington com a situação no Egito. Na semana passada, o governo já havia dispensado os funcionários que quisessem deixar o país árabe por conta própria. No comunicado divulgado hoje, o Departamento disse ainda que continuará a retirar cidadãos americanos do Egito em voos fretados do governo dos EUA.
Ontem, o governo dos EUA retirou mais de 1.200 americanos do Cairo, e pretende retirar mais cerca de 1.400 nos próximos dias. Os voos levaram os americanos do Cairo para Larnaca (Chipre), Atenas (Grécia) e Istambul (Turquia). Hoje, o Departamento espera incluir Frankfurt (Alemanha) como outro destino.
De acordo com a nota oficial, o governo também espera realizar voos de outras cidades egípcias, como Aswan e Luxor.
O Aeroporto Internacional do Cairo está aberto, mas os voos podem sofrer atrasos e cancelamentos devido às manifestações antigoverno.
PROTESTOS
A oposição reúne nesta terça-feira mais de 200 mil na praça Tahrir, no Cairo, em um dia de megaprotestos pela queda do ditador Hosni Mubarak, no poder há 30 anos. Um dos líderes do movimento, o Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, alertou em entrevista à TV que não vai negociar com o governo enquanto Mubarak estiver no poder e no Egito.
A oposição espera reunir 1 milhão de pessoas nesta terça-feira, exatamente uma semana após o início dos protestos contra o governo autoritário no Egito e contra a pobreza e desemprego endêmicos. Além da capital Cairo, os protestos são esperados em Alexandria.
"Mubarak vá embora para Arábia Saudita ou Bahrein", gritavam os manifestantes. "Nós não queremos você", dizia a multidão de homens, mulheres e até crianças.
"A única coisa que aceitaremos dele é que pegue um avião e vá embora", disse o advogado Ahmed Helmi, 45.
A rede de TV CNN afirma que os manifestantes montaram postos de checagem ao longo das ruas que levam à praça Tahrir, para evitar a chegada de policiais ou militares ao local.
SEM VIOLÊNCIA
Apesar dos violentos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança nos últimos dias, as Forças Armadas do Egito divulgaram um comunicado nesta segunda-feira admitindo o direito dos manifestantes de reivindicarem suas demandas e disseram que não usarão a força para conter os protestos.
Helicópteros militares continuam sobrevoando a cidade e os soldados mobilizados na capital desde sexta-feira controlam os pontos de acesso. Mas as cenas são bem diferentes de sexta-feira passada (28), quando a polícia não poupou cassetetes, gás lacrimogêneo e jatos de água para conter os manifestantes.
A concentração começou na madrugada desta terça-feira, quando mais de 5.000 pessoas chegaram à praça para passar a noite, violando o toque de recolher.
Há boatos de que os manifestantes marchariam até o Palácio Presidencial, mas com o número de manifestantes cada vez maior, o ponto focal dos manifestos continua a praça Tahrir.