Os Estados Unidos começaram nesta segunda-feira a retirar do Egito em voos fretados os primeiros cidadãos americanos, que ao longo das próximas horas serão levados para Istambul, Nicósia e Atenas, informou o Departamento de Estado.
O primeiro voo fretado pelo Governo americano aterrissou no aeroporto de Larnaca, no Chipre, com aproximadamente 42 pessoas a bordo e um segundo, no qual viajam 175 americanos, está a caminho de Atenas.
"Podemos confirmar que mais de 220 americanos foram evacuados até o momento do Egito", assinalou o Departamento de Estado em sua conta do Twitter.
O órgão, através do Escritório de Assuntos Consulares e da embaixada no Cairo, está preparando outros voos para destinos seguros, dado que o aeroporto da capital egípcia não está sujeito ao toque de recolher e operará 24 horas por dia.
No entanto, as autoridades americanas alertaram aos cidadãos que caso não tenham chegado ainda ao aeroporto para que respeitem o horário do toque de recolher.
Os EUA recomendaram aos americanos que considerem deixar do Egito o mais rápido possível e autorizaram a saída dos funcionários públicos não essenciais e seus dependentes.
A legação americana é uma das maiores no mundo árabe. Nela operam 380 empregados que têm 760 dependentes.
Ao todo, há 52 mil americanos no Egito. Destes, 2.400 expressaram o desejo de deixar o país, segundo dados mais recentes do consulado.
Protestos convulsionam o Egito
A onda de protestos contra o presidente Hosni Mubarak, iniciados em 25 de janeiro, tomou nova dimensão no dia 29. O governo havia tentado impedir a mobilização cortando a internet, mas a medida não surtiu efeito. O líder então enviou tanques às ruas e anunciou um toque de recolher - ignorado pela população - e disse que não renunciaria. Além disso, defendeu a repressão e anunciou um novo governo, que buscaria "reformas democráticas". A declaração foi seguida de um pronunciamento de Barack Obama, que pediu a Mubarak que fizesse valer sua promessa de democracia.
O governo encabeçado pelo premiê Ahmed Nazif confirmou sua renúncia na manhã de sábado. Passaram a fazer parte do novo governo o premiê Ahmed Shafiq, general que até então ocupava o cargo de Ministro de Aviação Civil, e o também general Omar Suleiman, que inaugura o cargo de vice-presidente do Egito - posto inexistente no país desde o início do governo de Mubarak, em 1981. No domingo, o presidente egípcio se reuniu com militares e anunciou o retorno da política antimotins. A emissora Al Jazeera, que vinha cobrindo de perto os tumultos, foi impedida de funcionar.
Enquanto isso, a oposição segue se articulando em direção a um possível novo governo para o país. Em um dos momentos mais marcantes desde o início dos protestos, ElBaradei discursou na praça Tahrir e garantiu que "a mudança chegará" para o Egito. Na segunda-feira, o principal grupo opositor, os Irmãos Muçulmanos, disse que não vão dialogar com o novo governo. Depois de um domingo sem enfrentamentos, os organizadores dos protestos convocaram uma enorme mobilização para a terça, dia 1º de fevereiro.Depois Já passam de 100 os mortos desde o início dos protestos, na última terça.