O Ministério da Saúde quer que a indústria de alimentos adote metas de redução de compostos como gordura e sódio(mineral que está presente no sal e, se consumido em excesso, pode levar a doenças como a hipertensão). De acordo com o ministro Alexandre Padilha, a ideia é fechar um acordo para que as empresas produtoras de alimentos façam promoções de hábitos saudáveis entre os consumidores.
Padilha, que participou de evento em São Paulo na manhã desta sexta-feira (28), disse que os prazos para que isso aconteça ainda vão ser definidos.
– Nós, como gestores de saúde, temos que apoiar qualquer medida que promova os hábitos saudáveis na população. Nós queremos que a indústria de alimentos tenha metas ousadas de redução de sódio e calorias nos produtos.
Não será uma tarefa fácil. No ano passado, a indústria de alimentos criticou fortemente uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que obriga as propagandas de alimentos com quantidade elevada de açúcar, sódio, gordura trans e saturada a apresentar uma mensagem de alerta com a indicação de que o produto oferece riscos à saúde caso seja consumido em excesso.
A medida começou a valer no fim do ano passado, mas uma liminar conseguida na Justiça pela Abia (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) invalida a norma para 135 empresas que participam da instituição – a associação diz que representa 70% da indústria de alimentos no país.
O ministro disse que a presidente Dilma Rousseff estabeleceu três áreas prioritárias para a saúde. A primeira delas é a questão do uso de drogas, especialmente entre os jovens. Um dos focos de combate ao problema deve ser o crack. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) está fazendo um levantamento sobre o número de usuários dessa droga e os locais onde a incidência é maior. O objetivo é fazer um diagnóstico do problema para que o governo possa traçar estratégias de combate.
As outras áreas apontadas como prioridade pela presidente são a saúde de mulheres e crianças e a melhora dos serviços de emergência no país.
Padilha disse que o governo federal está disposto a fazer parcerias com Estados e municípios para melhorar os serviços de saúde, mas que é necessário que esses contratos sejam mais transparentes.
– Você precisa de contratos mais potentes, que tenham metas estabelecidas, para que nós e a população possamos controlar. Temos também que premiar os gestores que tiverem os melhores indicadores.
O ministro evitou dizer se é contra ou a favor à volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), um imposto polêmico criado em 1997 e que direcionava sua arrecadação à saúde e a Previdência Social. Em 2007, o governo Lula não conseguiu prorrogar a cobrança, o que tirou da administração federal uma arrecadação anual de cerca de R$ 40 bilhões.
Ele disse que essa é uma discussão a ser estabelecida pelo Congresso Nacional, e não pelo governo.
– Primeiro é fundamental que nós aprimoremos a gestão da saúde. Não adianta você ter novos recursos se eles não forem bem aplicados.