Os confrontos entre manifestantes e policiais ficam cada vez mais violentos no Egito e fontes de segurança citadas pela agência de notícias Efe já falam em ao menos três mortos somente nesta sexta-feira. As autoridades não se pronunciaram até o momento sobre os protestos na capital Cairo, Alexandria e ao menos outras três cidades pela queda de Hosni Mubarak, no poder desde 1981.
Os mortos, segundo a Efe, são três civis que participavam de um protesto perto do Museu do Egito, próximo à praça Tahrir, epicentro das manifestações políticas dos últimos dias e que foi cercada nesta sexta-feira pela polícia. As vítimas teria recebido tiros de balas de borracha a curta distância.
Até esta sexta-feira, o saldo oficial era de sete mortos, centenas de feridos e mais de 500 detidos (embora fontes não oficiais falem em ao menos mil presos).
Os protestos se espalham pelo país, atraindo grupos de milhares de insatisfeitos com o regime de Mubarak e exigindo mais democracia, além de mais empregos. De um lado, os manifestantes usam pedras e sapatos. Do outro, os agentes antidistúrbios usam água, gás lacrimogêneo e balas de borracha.
No Cairo, os manifestantes ocuparam ao menos seis grandes avenidas da cidade de 18 milhões de pessoas e marchavam para as principais praças e pelas pontes do rio Nilo. Eles protestam pela queda de Mubarak e reclamam de anos de um governo que ignorou as consequências da pobreza endêmica, desemprego e aumento dos preços dos alimentos.
Houve ainda protestos menores em Assiut e Al Arish, na península do Sinai. As estações regionais de televisão relatam confrontos entre milhares de manifestantes também nas cidades de Alexandria e Minya.
No distrito de Mohandiseen, ao menos 10 mil pessoas marchavam para o centro da cidade gritando "saia, saia, Mubarak" --uma multidão que chegou a 20 mil depois de passar áreas residenciais.
Os moradores cumprimentavam os manifestantes das janelas dos apartamentos. Alguns agitavam bandeiras do Egito. Eles foram interrompidos pela polícia, que lançou dezenas de latas de gás lacrimogêneo, antes que chegassem a uma ponte no Nilo.
Na praça Ramsis, no centro da cidade, milhares enfrentaram a polícia ao deixar a mesquita Al Nur depois das orações do meio-dia. A polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha que chegaram a atingir o interior da mesquita, onde mulheres estavam se refugiando.
Já a praça Tahrir, epicentro dos protestos políticos do Cairo dos últimos dias, está tomada totalmente pela polícia egípcia, embora nas ruas adjacentes manifestantes estejam concentrados.
Imagens da televisão local mostram manifestantes lançando pedras nos policiais, em uma estrada que leva à praça.
Segundo a agência de notícias Efe, a praça está rodeada por agentes de segurança que bloqueiam o acesso --a fim de evitar as manifestações contra o regime de Mubarak que acontecem ali desde terça-feira.
Grandes grupos de agentes antidistúrbios foram direcionados às partes mais importantes da cidade, nas entradas de pontes que atravessam o rio Nilo e em cruzamentos chaves para evitar o encontro de grupos de manifestantes. Também há uma fortíssima presença policial nos arredores do prédio da televisão pública, que nos últimos dias foram palco de duros confrontos entre manifestantes e policiais.
Egípcios de fora do país estão postando informações atualizadas que recebem de conhecidos no país pelo microblog Twitter. Muitos pedem que os amigos continuem passando informações atualizadas.
Uma página da rede social Facebook criada por manifestantes listou suas exigências. Eles querem que Mubarak declare se seu filho vai ou não se candidatar às próximas eleições, dissolva o Parlamento para realizar novas eleições; encerre as leis de emergência que dão à polícia poderes extensivos para prisão e detenção; liberte todos os prisioneiros e demita imediatamente o ministro do Interior.