WASHINGTON, 19 Jan 2011 (AFP) -O Haiti deve punir os crimes cometidos durante a ditadura de Jean-Claude ''Baby Doc'' Duvalier, até agora impunes, afirmou nesta quarta-feira a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A CIDH recordou ao governo do Haiti "seu dever permanente de investigar, processar, sancionar e reparar as violações de direito humanos que constituem crimes sob direito nacional ou internacional", em um comunicado.

A Comissão é uma entidade autônoma da Organização de Estados Americanos (OEA).

Quatro haitianos entraram com quatro processos nesta quarta-feira contra o ex-ditador Jean-Claude "Baby Doc" Duvalier, por tortura, exílio e prisões arbitrárias, cometidos durante os 15 anos que passou à frente do poder, informou a jornalista haitiana Michèle Montas.

"Acabamos de apresentar queixas formais por crimes contra a humanidade junto ao procurador-geral", afirmou Montas, ativista e ex-porta-voz do secretário-geral da ONU.

Além dela, os ex-presos políticos Alix Fils-Aime e Claude Rosiers, que passaram 10 anos detidos pelo regime de Duvalier (1971-1986), e Nicole Magloire, outra vítima do ditador, também entraram com processos contra ''Baby Doc''.

Montas foi mandada para o exílio forçado, e sua estação de rádio, a Radio Haiti, foi vandalizada por agentes do governo.

"Iniciamos processos por detenção arbitrária, exílio forçado, destruição de propriedade privada, tortura e violação moral dos direitos civis e políticos", afirmou, depois de uma reunião do grupo com o procurador Aristidas Auguste.