A extração ilegal de madeira Amazônia está gerando conflito no assentamento criado na área onde a missionária Dorothy Stang foi assassinada, em Anapu, no Pará.
De um lado, agricultores ligados à Comissão Pastoral da Terra defendem a preservação da reserva. De outro, agricultores não regularizados no assentamento defendem a exploração. O Incra tenta resolver o impasse.
Trabalhadores da região organizaram um encontro para homenagear a Amazônia, e o clima ficou tenso quando colonos do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anapu tentaram participar.
A situação voltou ao normal quando os colonos do desistiram de participar do encontro, que também incluiu uma reunião entre Incra e produtores rurais para discutir a extração ilegal de madeira nos lotes e a construção de guaritas na estrada de acesso.
“A nossa proposta é que sejam criadas guaritas nas duas entradas do assentamento para que essa guarita possa coibir a entrada e saída de caminhão que não seja autorizado pelo Incra ou pela associação”, disse Cleide Souza, superintendente do Incra.
“A gente já não aguenta mais de madeireiro 24 horas dentro do nosso assentamento”, reclamou a assentada Ivanildes Santos. Segundo os trabalhadores rurais, o bloqueio da estrada continua até que as duas guaritas sejam construídas. Eles querem garantir que a floresta seja preservada.
“A gente só sai daqui depois que a madeira que está serrada fique com um fiel depositário em lugar seguro para que seja revertida em benefício dos assentados. Não dos que venderam madeira”, disse o padre José Amaro Lopes, coordenador regional da Comissão da Pastoral da Terra.
O Incra se comprometeu a avaliar, em 60 dias, a possibilidade de construção das guaritas nos acessos ao assentamento. A pedido do órgão, agentes da Polícia Federal e homens da Força Nacional de Segurança foram enviados para Anapu para evitar conflitos entre assentados e madeireiros.