Mais de 400 pessoas protestaram na manhã desta quarta-feira no centro de Túnis contra o novo governo de transição formado na última segunda-feira.
"Queremos um novo Parlamento, uma nova Constituição e uma nova República", gritavam os manifestantes, cercados por um grande dispositivo policial. Nas ruas de Túnis, é possível observar uma forte oposição ao governo de transição formado na última segunda-feira por membros da equipe do presidente destituído Zine El Abidine Ben Ali, que ficou 23 anos no poder.
Um dos slogan dos manifestantes é: "Povo, rebele-se contra os partidários de Ben Ali". "O ministro de Assuntos Financeiros é um amigo dos Trabelsi", a família da mulher de Ben Ali, dizia um dos cartazes carregados pelos manifestantes.
"Fora RCD (Reunião Democrática Constitucional, partido de Ben Ali)", proclamava outro cartaz. "Policial, você também é uma vítima, venha participar conosco nesta revolta", gritavam os manifestantes.
Vários protestos contra a presença de membros da equipe do presidente deposto Ben Ali no novo governo tomaram o país. O novo Poder Executivo foi formado três dias depois da queda do regime de Ben Ali, que na última sexta-feira viu-se obrigado a fugir para o exílio na Arábia Saudita após um mês de rebelião popular, a "Revolução de Jasmim".
Momento histórico
A Tunísia começou a viver um forte turbulência social há cerca de quatro semanas, quando jovens e estudantes iniciaram protestos contra os altos índices de desemprego na ruas da capital Túnis. As manifestações logo tomaram vulto e assumiram uma conotação política, criticando a falta de liberdade política no país.
O governo se viu obrigado a agir. Em meio a pedidos de calma à população, o então presidente Ben Ali anunciou o fechamento de universidades e escolas, enquanto o Exército saía às ruas para frear as manifestações. Passaram a haver confrontos regulares, gerando um número ainda incerto de mortos, mas que já passa de 70, segundo dados do governo.
As medidas não foram suficientes, e Ben Ali se viu obrigado a deixar a Tunísia na última sexta-feira, 14 de janeiro, passando o controle do país para o Exército e o comando interino do governo para o primeiro-ministro, Mohammed Ghannouchi. Com a fuga, encerra-se um longo período de governo, iniciado em 1987 e durante o qual Ben Ali se reelegeu diversas vezes.
Sem a presença do ex-ditator, a Tunísia começa a caminhar na direção de um novo cenário político. Na segunda-feira, 16 de janeiro, o comando interino tunisiano convocou a formação de um governo de união nacional para funcionar durante o período transitório até as próximas eleições, convocadas para dentro de seis meses. Presos políticos também receberam anistia, e todos os partidos políticos serão legalizados.