O presidente e o primeiro-ministro da Tunísia deixaram nesta terça-feira o partido governista RCD, o mesmo do ex-presidente Zine Al-Abidine Ben Ali, que renunciou na semana passada, informou a televisão estatal. A medida tem o objetivo de atender exigências de políticos da oposição e de líderes sindicalistas que ameaçaram derrubar o governo interino e parece ser uma tentativa de acabar com os protestos que acontecem no país há dias.

O ex-presidente Ben Ali deixou o poder na última sexta-feira após uma série de protestos populares contra ele e seu governo.

Protestos

Também nesta terça-feira, manifestantes entraram em confronto com a polícia na capital, Túnis. Muitos protestavam contra a permanência de membros do governo de Ben Ali no gabinete ministerial interino.

Ao anunciar o seu gabinete na segunda-feira, Ghannouchi – que era premiê no governo de Ben Ali – afirmou que seis ministros do ex-presidente, entre eles o do Interior e da Defesa, continuariam nos cargos, enquanto a oposição ficaria com os Ministérios de Educação Superior, Desenvolvimento Regional e Saúde.

Reformas e economia

Ben Ali, o presidente que renunciou, chegou ao poder em 1987 com um golpe de Estado que derrubou o primeiro presidente da Tunísia após a declaração de independência, Habib Bourguiba. O ex-presidente prometeu promover uma transição gradual para a democracia no país, mas acabou se fixando no poder com sucessivas mudanças na Constituição e eleições em que era o candidato único.

Uma das primeiras tarefas do governo interino será avançar com as reformas constitucionais e preparar a Tunísia para eleições livres. Outra tarefa urgente é estabilizar a economia do país. A estimativa é de que a crise das últimas semanas tenha custado ao país cerca de US$ 2 bilhões.

Segundo a atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer em menos de 60 dias. Os protestos começaram no último mês motivados pela insatisfação com o alto desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção.

Segundo o governo, 78 pessoas morreram em choques entre manifestantes e a polícia. Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, viajou na sexta-feira para a Arábia Saudita, depois de renunciar ao cargo.