A Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Navi Pillay, anunciou nesta quarta-feira que recebeu denúncias de mais de 100 mortes na Tunísia nas últimas cinco semanas, por causa de disparos em conflitos, suicídios de protesto e motins em prisões.
Em entrevista coletiva, Pillay reiterou sua solicitação que todas as mortes e violações aos direitos humanos sejam investigadas e seus responsáveis julgados.
Defensores dos direitos humanos tunisianos e internacionais acusaram os agentes da ordem de uso excessivo da força na repressão das manifestações pacíficas de cidadãos que protestavam contra o regime do ex-presidente Zine el Abidine Ben Ali, político que fugiu na última sexta-feira do país.
MANIFESTAÇÕES RETOMADAS
Centenas de manifestantes marcharam nesta quarta-feira pela principal avenida da capital da Tunísia para exigir a saída dos aliados do ditador deposto Zine El Abidine Ben Ali do novo governo de transição.
Os manifestantes parecem não ceder diante dos esforços do primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, de formar um novo governo com a oposição, que deve se reunir pela primeira vez nesta quinta-feira.
Os manifestantes cantaram músicas nacionalistas e levavam cartazes com dizeres como "Fora RCD" --o partido de Ben Ali, ao passar pela avenida Bourguiba, em Túnis.
Vans da polícia acompanharam a marcha para evitar distúrbios e violência que marcaram a revolta popular iniciada em dezembro --e que deixou ao menos 78 mortos e 94 feridos, segundo dado oficial.