O economista-sênior do Espírito Santo Investment Bank, Flávio Serrano, explica que, no início dos negócios, o cenário ainda era de preocupação com a inflação, de maneira que os Depósitos Interfinanceiros (DIs) subiram em bloco. Porém, os investidores perceberam que os preços dos contratos de prazos mais dilatados estavam muito altos, o que levou a uma realização de lucros na parte longa da curva. Para se ter uma ideia, o DI com vencimento em janeiro de 2013 chegou a 12,82%, na máxima do dia, alta de 0,06 ponto percentual ante o fechamento de ontem. Já o contrato de abertura de 2014 atingiu 12,76%, aumento de 0,07 ponto. "Os investidores fizeram as contas e perceberam que era difícil a Selic chegar a patamares tão altos. Então eles aproveitaram os preços altos para zerar posições ou ao menos reduzir a posição comprada (que ganha com a alta)", explica Serrano. Na parte curta da curva, porém, a maioria dos DIs seguiu em alta, por conta de um efeito técnico que foi motivado pela perspectiva de alta da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que será realizada amanhã. "A alta nos DIs de prazos mais curtos observada hoje não quer dizer que tem mais gente apostando em alta de 0,75 ponto", alerta Serrano, que avalia que a curva continua mostrando uma alta de 0,5 ponto percentual. "O que existe hoje é dúvida para a reunião de março do Copom, entre alta de 0,5 ponto e de 0,75 ponto", diz, o economista-sênior, que trabalha com um cenário de três altas consecutivas de 0,5 ponto percentual. Antes do ajuste final das posições, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em fevereiro de 2011 tinha alta de 0,04 ponto, a 11,06%, enquanto o de março de 2011 operava estável, a 11,12%. Já o contrato com vencimento em abril de 2011 subia 0,02 ponto, para 11,37%. O DI de julho deste ano, por outro lado, registrava desvalorização de 0,01 ponto percentual, para 11,89%. Entre os DIs de prazos mais dilatados, o do início de 2012 registrava acréscimo de 0,01 ponto, a 12,41%. Na direção contrária, o contrato de abertura de 2013 apresentava queda de 0,03 ponto, a 12,73%. Já o de janeiro de 2014 declinava 0,04 ponto, a 12,65%. O contrato de início de 2015, por sua vez, caía 0,02 ponto, para 12,57%. O DI de abertura de 2016 tinha queda de 0,07 ponto, para 12,39%. Por fim, o contrato de janeiro de 2017 recuava 0,08 ponto, a 12,32%. Até as 16h10, foram negociados 1,505 milhão de contratos de contratos, equivalentes a R$ 136,013 bilhões (US$ 80,873 bilhões). Em relação ao pregão de ontem, o número de contratos quase quadruplicou. Vale lembrar, porém, que na segunda-feira a liquidez foi menor devido ao feriado de Martin Luther King Jr. nos Estados Unidos. O contrato com vencimento em fevereiro deste ano foi o mais negociado, com 354.455 contratos, equivalentes a R$ 35,298 bilhões (US$ 20,988 bilhões). Nesta jornada, o Ministério do Trabalho informou que, no mês passado, houve perda líquida de 407.510 postos de trabalho com carteira assinada, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foram 1.230.563 admissões e 1.638.073 desligamentos, ambos recordes para meses de dezembro. De acordo com Serrano, apesar da queda observada em dezembro, o resultado não foi negativo, se forem considerados os fatores sazonais. "Esperávamos uma queda de cerca de 400 mil postos, de forma que o resultado ficou em linha com o esperado. Em dezembro, o setor público costuma demitir, para equilibrar as contas, mas, em janeiro, geralmente já contrata de novo", explica. Ainda segundo ele, os DIs longos já estavam em queda antes do anúncio do resultado do Caged, de forma que o indicador não teve "impacto fundamental sobre a formação de preços hoje". (Karin Sato | Valor)
DIs curtos sobem e longos caem, em dia de ajuste técnico
19/01/2011, 04:19 - Brasil/Mundo
Por Redação
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