A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, qualificou nesta segunda-feira (10) como "extremista" o homem que baleou a deputada democrata Gabrielle Giffords. Ela disse que pessoas do mundo todo devem rejeitar as ideologias radicais.

A declaração foi feita durante um evento nos Emirados Árabes Unidos, em resposta a um estudante que questionou a ligação, por parte da opinião pública americana, dos atentados de 11 de setembro de 2001 com o mundo árabe em geral.

Hillary afirmou que isso se deve a percepções equivocadas e à influência da mídia. Ela disse que "temos extremistas no meu país".

- Uma jovem, maravilhosa e incrivelmente corajosa, a parlamentar Giffords, acaba de ser baleada por um extremista no nosso país. Temos o mesmo tipo de problema. Então, em vez de nos mantermos em impasse, devemos trabalhar para evitar que extremistas de qualquer lugar possam cometer violência.

Jared Lee Loughner, um americano de 22 anos, foi indiciado pelo atentado a Giffords, ocorrido no último sábado (8), no estacionamento de um supermercado no Estado do Arizona. Seis pessoas morreram e 14 ficaram feridas no ataque, que gerou um debate nos EUA sobre a radicalização do discurso político.

- Os extremistas e suas vozes, as vozes loucas que às vezes chegam à TV, não são quem nós somos, não são quem vocês [árabes] são, e o que precisamos fazer é superar isso e deixar claro que isso não representa as ideias ou as opiniões árabes nem as americanas.

Suspeito vai a tribunal

Loughner, que se encontra detido pelas autoridades federais, comparece a um tribunal nesta segunda-feira, às 19h (horário de Brasília), para responder a acusação de tentativa de homicídio de Giffords, gravemente ferida na cabeça, assim como de Pamela Simon e Ron Barber, membros da comitiva da deputada, informou Dennis K. Burke, promotor federal do Arizona.

Burke acrescentou que a promotoria está elaborando o indiciamento formal de Loughner.

Durante a aparição dos acusados, nesta segunda-feira, o tribunal definirá uma data para audiência preliminar e a revisão dos motivos de sua detenção.

Um júri será responsável, em um prazo de 30 dias, por examinar as provas contra ele antes de pronunciar as acusações.

Loughner teria escrito "eu planejei antecipadamente" e "meu assassinato" em um envelope junto ao nome da deputada americana, contra quem mais tarde disparou à queima-roupa na cabeça, segundo informações divulgadas.

O documento de acusação revelou que os investigadores revistaram a casa de Loughner, em Tucson, e encontraram uma carta de Giffords, de agosto de 2007, na qual agradecia a ele por assistir a um evento político similar ao do tiroteio.

Em uma entrevista à rede Fox News, o xerife do condado de Pima, Clarence Dupnik, referiu-se a outra carta de Loughner na qual "indicava que ele iria matar a mulher escandalosa".

- Não há nenhuma dúvida de que este foi um ato de um só indivíduo, muito perturbado.

A deputada Giffords, de 40 anos, permanece internada em estado crítico. Uma menina de 9 anos também está entre as pessoas mortas no atentado.