O embaixador da Costa do Marfim diante da ONU, Youssoufou Bamba, acredita ser possível formar um Governo de união nacional se Laurent Gbagbo renunciar a sua reivindicação da Presidência do país após as eleições de novembro.

Em declarações nesta terça-feira à "BBC", Bamba disse que Alassane Ouattara, reconhecido pela comunidade internacional como vencedor do pleito, está disposto a trabalhar com os seguidores de Gbagbo, quem se negou a reconhecer sua derrota.

O embaixador foi designado representante da Costa do Marfim diante das Nações Unidas por Ouattara.

No entanto, o diplomata especificou que o único que não pode ser negociado é o resultado das eleições.

Gbagbo "foi derrotado", "tem de admitir isto, tem de renunciar e (...) o resto é negociado", assinalou Bamba.

"Gbagbo não está só, tem seguidores, tem gente competente em seus partidos. Estamos preparados para trabalhar com eles", acrescentou.

"Em política, a vida continua", assinalou o diplomata, que insistiu em que os políticos estão "condenados a viver juntos".

Segundo a ONU, 200 pessoas perderam a vida ou estão desaparecidas, grande parte de seguidores de Ouattara. O organismo acredita que as forças de segurança leais a Gbagbo impediram em duas ocasiões os defensores dos direitos humanos de visitarem o local onde acreditam devem estar os corpos.

No entanto, o Governo de Gbagbo negou em reiteradas ocasiões a existência de valas comuns.

Ouattara permanece em um hotel de Abidjan protegido pelas forças de paz da ONU.

Gbagbo foi eleito presidente em 2000 para cinco anos e se manteve outros cinco no poder devido aos atrasos na convocação do pleito pela guerra civil, de 2002 a 2007, que dividiu o país entre o sul, leal ao Governo de Abidjan, e o norte, controlado pelas Forças Novas do atual primeiro ministro, Guillaume Soro.