A possibilidade do deputado estadual Cícero Ferro (PMN) assumir o mandato mesmo sem ter sido reeleito já causa movimentação entre alguns parlamentares contrários à manobra, na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE).
A polêmica começou quando o vereador Dudu Holanda (PMN), eleito para o cargo na ALE informou em entrevista ao Cadaminuto que iria se licenciar após sua posse, em fevereiro, por conta de uma cirurgia de obesidade mórbida.
A suposta permanência de Ferro na ALE seria uma forma de fazer o parlamentar continuar com o foro privilegiado e impedir que processos que o acusam de pelo menos três crimes, entre eles a autoria intelectual do assassinato do vereador por Delmiro Gouveia, Fernando Aldo, sejam julgados no Tribunal de Justiça de Alagoas, já que no cargo ele tem a prerrogativa de responder em esferas superiores, a exemplo do Supremo Tribunal Federal (STF).
Para o deputado Judson Cabral (PT) é possível que haja uma manobra regimental, já que Holanda pode pedir licença médica. No entanto, caberia à ALE requisitar para uma junta médica, a veracidade da solicitação, caso exista algum tipo de desconfiança. Mas, o parlamentar ressaltou que a permanência de Ferro no cargo ainda é uma especulação e por isso, não poderia fazer pré-julgamentos.
“Se realmente houver uma manobra é algo sério, que envolve várias pessoas, entre elas profissionais da área da saúde que não podem emitir atestados falsos, por se tratar de crime. Os parlamentares podem pedir afastamento para resolverem assuntos particulares e de saúde, mas o Dudu não aparenta estar doente, ele participou de todas as atividades na Câmara de Vereadores”, afirmou.
Cabral destacou que se a manobra realmente ficar comprovada será mais um escândalo na Casa de Távares Bastos, que não poderia servir como escudo para desmandos dos parlamentares. “A ALE vem sofrendo um processo de degradação, mas os deputados precisam tomar cuidado para que amanhã não sejam acusados de estarem na contramão dos interesses sociais”, destacou.
Eleição Mesa Diretora
Judson Cabral disse que independente do grupo político que assuma a Mesa Diretora da ALE o retorno de Cícero Ferro deverá ser tratado com responsabilidade, destacando que como a licença médica tem um prazo e deve passar por reavaliação, o parlamentar não ficaria por muito tempo no mandato.
“Pelo cenário que está se desenhando acredito que os integrantes da Mesa Diretora vão averiguar e tornar público o desfecho desse caso, pensando no futuro da ALE. A sociedade também tem que acompanhar e cobrar transparência nas ações. Ferro não poderá ficar para sempre no cargo”, ressaltou
