Famílias do Movimento dos Sem-Teto da Bahia (MSTB) ocuparam, neste domingo, o prédio de quatro andares que foi incendiado na manhã de sábado (25), na Baixa dos Sapateiros, centro histórico de Salvador. Com os andares superiores atingidos pelas chamas, os ocupantes se dividem nos dois primeiros andares do imóvel.
De acordo com uma das moradoras do edifício, de prenome Elisabeth, a Defesa Civil de Salvador (Codesal) liberou as famílias a retornarem ao local até que outra solução seja encontrada, pois os dois últimos andares correm riscos de desabar.
Porém, segundo comunicado oficial emitido pela assessoria de comunicação da Codesal nesta manhã, um engenheiro do órgão orientou os moradores a deixarem o imóvel. "Fiz uma nova avaliação e mostrei a eles que não dá para ficar, pois a estrutura está abalada e a vida está em primeiro lugar", afirmou o profissional.
Após discutir com a mulher, um homem provocou o incêndio que destruiu o andar superior do prédio ocupado por componentes do MSTB. Todos os moradores foram resgatados com vida, mas o casal pivô da tragédia fugiu do local.
A confusão entre o casal teria começado na noite de 24 de dezembro, quando Vado arrancou a mangueira do gás de cozinha e ameaçou destruir o lugar. ¿Ele e a mulher tinham brigado por ciúme e a gente conseguiu colocar ele para fora. Pela manhã, ele voltou com a gasolina e botou fogo em tudo¿, contou Amadeu Moreira dos Santos, pedreiro, último ocupante a ser retirado do local do incêndio.
O resgate das 36 famílias que moravam no prédio foi realizado pelo Corpo de Bombeiros e pelo Grupamento Aéreo da Polícia Militar da Bahia (Graer). O soldado da Polícia Militar (PM), David Márcio, estava passando pelo local e também colaborou. Ele diz ter ajudado a retirar cerca de 30 pessoas do local. "Trabalho na companhia aqui do bairro e estava indo para a corporação. Muita gente dormia no momento em que tudo ocorreu", disse o PM.
Cinco pessoas que subiram ao terraço para escapar das chamas foram resgatadas de helicóptero. ¿O maior desafio foi a intensidade do fogo. Lá em cima, as pessoas estavam desesperadas, pois as chamas estavam se aproximando rápido¿, contou o tenente Ivan Paulo, do Graer, após realizar o primeiro resgate de incêndio com helicóptero da sua carreira. Os resgatados foram atendidos por profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e liberados em seguida.