Milicianos que foram presos esta semana em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, usavam carros da polícia para praticar crimes na região. Entre os 25 presos na ação estavam vereadores, policiais militares, ex-PMs, um policial civil, um fuzileiro naval e um militar do Exército.
“Já houve uma prisão há tempos atrás de um ex-policial que foi preso por extorsão em Caxias. É o mesmo grupo e isso demonstra a participação confirmada da máquina e equipamento da Polícia Militar para extorquir as pessoas”, explicou o delegado Cláudio Ferraz, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado.
Segundo as investigações, a organização criminosa atua no município desde 2007 e usava o veículo para vigiar as áreas sob o comando da quadrilha. Outras nove ainda são procuradas. Na ação, também foram cumpridos 51 mandados de busca e apreensão, inclusive em gabinetes dos vereadores envolvidos da Câmara municipal de Caxias.
Gravações mostram negociação de armas
Segundo a polícia, o grupo de milicianos preso negociava armas com traficantes do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio. Gravações mostram integrantes da quadrilha comentando as negociações.
“Fui no Complexo do Alemão. Aí eu fui, mas não deu certo, para pegar um dinheiro lá. O dono de lá não estava”, diz um homem numa das gravações feitas pela polícia com autorização da Justiça. Em outro trecho, o suspeito fala sobre a venda de armas na região: “É o dono mesmo do tráfico. A polícia vendeu munição e fuzil”. As vozes, segundo a polícia, são de integrantes da quadrilha.
Organização da quadrilha
Segundo a polícia, a quadrilha é chefiada por dois vereadores e o filho de um deles. Além da venda de armas, o grupo é acusado de homicídios, torturas, ameaças, exploração de moradores e de instalar sinais clandestinos de internet e TV a cabo. Os acusados negam os crimes.
Os presos vão responder por formação de quadrilha armada, que tem pena de até 12 anos de prisão. Os três líderes do grupo vão responder também por extorsão, cuja pena varia de quatro a dez anos de prisão.