A União Europeia aprovou nesta quarta-feira a proibição de viagens a países que fazem parte do bloco ao presidente em fim de mandato da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, e 18 de seus colaboradores, enquanto segue preparando sanções financeiras.
O Conselho da UE aprovou por unanimidade a proibição de vistos a essas 19 pessoas, que entrará em vigor formalmente na quinta-feira.
As medidas afetam pessoas "que obstruem o processo de paz na Costa do Marfim e põem em perigo o resultado do processo eleitoral", disse a UE por meio de nota oficial.
O bloco europeu segue preparando as sanções financeiras, que incluem o congelamento de possíveis bens em solo comunitário. O objetivo é aprovar as sanções adicionais de forma rápida, já no início de janeiro, caso a situação do país africano continue se deteriorando.
A União Europeia advertiu ainda que a lista de pessoas objeto de sanções pode aumentar.
Entre as pessoas implicadas está Simone Gbagbo, esposa do governante em fim de mandato e presidente do grupo parlamentar da Frente Popular Marfinense na Assembleia Nacional.
Um funcionário da UE revelou que existe uma "forte preocupação" com a situação humanitária da região, já que na Costa do Marfim estão acontecendo "muitas violações" dos direitos humanos, como assassinatos, desaparições e detenções ilegais.
A UE também acredita que a Comunidade de Estados de África Ocidental (CEAO) bloqueará o acesso de Gbagbo aos fundos depositados no Banco Central do organismo, relativos essencialmente ao comércio de cacau e de produtos petrolíferos.
No território marfinense moram atualmente cerca de 17 mil cidadãos europeus (sendo 15 mil franceses) e, por isso, a UE considera que, caso haja necessidade de evacuação, a França seria a encarregada de coordená-la, já que mantém soldados no país.
Apesar das sanções, a UE vai manter sua cooperação com o país africano e a Comissão Europeia aprovou nesta quarta-feira uma ajuda humanitária de 5 milhões de euros para atender as necessidades imediatas de 100 mil pessoas afetadas pela situação.