O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, afirmou na manhã desta sexta-feira (17) que o Complexo do Alemão, na zona norte da cidade, ainda não está preparado para receber uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora). Segundo ele, a região, que foi ocupada pela polícia em combate ao tráfico de drogas no fim de novembro, continua em fase de vasculhamento e controle.

Os próximos passos, de acordo com o secretário, são a entrega definitiva da área para o Exército e a manutenção dos três batalhões de campanha que vão compor a força de paz.

Beltrame não quis adiantar detalhes sobre a instalação de UPPs em outras favelas do Rio, mas confirmou que a Rocinha, em São Conrado, na zona sul, será pacificada.

- Está prevista sim, mas prefiro não falar muito ainda porque isso mexe com o imaginário das pessoas. Posso garantir para vocês que este projeto vai continuar.

O secretário participou nesta manhã da reinauguração da praça Mestre Bebetinho, localizada na comunidade da Babilônia, no Leme, na zona sul. A obra empregou 60 moradores da comunidade.

O espaço conta com três níveis. No nível mais alto, foram instalados um parque infantil, um quiosque, bancos e mesas de jogos para crianças e pessoas da terceira idade. No nível intermediário, há uma quadra poliesportiva com iluminação para jogos noturnos e uma arquibancada para plateia em dias de shows musicais e apresentações teatrais. No último nível, foi construído o CIC (Centro de Internet Comunitária), uma cantina para atender os frequentadores, além de dois sanitários.

No mesmo local, Beltrame participou da entrega de geladeiras novas com módulo econômico de energia para os moradores das comunidades da Babilônia e do Chapéu Mangueira. A iniciativa é do Comunidade Eficiente, programa da Light (concessionária que administra o fornecimento de energia no Rio), que substitui refrigeradores antigos em comunidades carentes do Rio.

Uma resposta do Estado

A operação no Complexo do Alemão faz parte da reação da polícia à onda de violência que tomou conta do Rio de Janeiro em novembro, quando dezenas de carros foram incendiados em vários pontos do Rio de Janeiro e houve ataques a policiais.

Veja fotos do dia da ocupação no Complexo do Alemão

A ação dos criminosos foi vista pelo governo estadual como uma resposta às UPPs instaladas nos dois últimos anos em comunidades antes dominadas pelo tráfico.

Para conter os ataques, a polícia, com apoio das Forças Armadas, realizou uma grande ofensiva no dia 25 de novembro na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, forçando a fuga de centenas de traficantes para o vizinho Complexo do Alemão, onde foram cercados nos dois dias seguintes.

Na manhã de 28 de novembro as polícias Civil e Militar, com ajuda da Marinha e do Exército, fizeram a ocupação do Complexo do Alemão e, simbolicamente, fincaram a bandeira nacional no alto do morro, devolvendo à população o território antes ocupado pelo tráfico.

As buscas por armas e drogas continuam desde então. De acordo com o último balanço da Polícia Civil, foram apreendidos 36,6 toneladas de drogas, 496 armas de diversos tipos e 58 explosivos. O levantamento indica ainda 133 suspeitos presos e 440 carros recuperados.

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