Rússia anunciou nesta sexta-feira que adiará a destruição de todo seu arsenal químico de 2012 para 2015, o que supõe um descumprimento da data limite marcada pela Convenção Internacional sobre a Proibição de Armas Químicas.
Desde o início do processo em 2002, a Rússia eliminou mais da metade (20.155 toneladas) das 40 mil toneladas de munição química que tinha herdado da extinta União Soviética, mas agora o programa enfrenta problemas financeiros.
"Entendemos que não se trata de um atraso proposital ou de uma falta de compromisso. Trata-se de questões legais e técnicas. A Rússia quer encontrar uma solução que respeite o espírito da convenção", afirmou nesta sexta-feira à Agência Efe Michael Lucan, porta-voz da Organização.
A convenção, em vigor desde 1997, exige que os países subscritores eliminem seus arsenais antes de 2007, embora permita uma prorrogação única de cinco anos que a Rússia já solicitou quando aceitou o prazo limite de 29 de abril de 2012.
De acordo com as novas previsões anunciadas nesta sexta-feira, a Rússia deve destruir entre 3 mil e 5 mil toneladas de armas por ano, com exceção do último ano, cuja quantidade será inferior a 500 toneladas.
"A Rússia foi transparente sobre os atrasos e nosso conselho executivo visitou em diversas ocasiões as instalações para observar a evolução", acrescentou Luncan, que garantiu que as autoridades russas tinham comunicado a demora "há meses".
O país inaugurou em 26 de novembro uma nova planta para destruir armas químicas em Briansk, a região russa mais contaminada pela catástrofe de Chernobil.
Nestas instalações, cuja construção contou com um orçamento de 15 bilhões de rublos (equivalente a 360 milhões de euros), mais de 7,5 mil toneladas de armas químicas foram destruídas, um quinto de seu arsenal.
O orçamento para a eliminação de armas químicas para este ano é de 20 bilhões de rublos, 3 bilhões a menos que em 2009.
De acordo com a Convenção Internacional para a Proibição de Armas Químicas, os 188 países que assinaram o documento estão obrigados a destruir todo seu armamento químico antes de abril de 2012.
Países como Coreia do Norte e Síria ainda não assinaram a convenção.