PEQUIM, 10 dez 2010 (AFP) -A China anunciou nesta sexta-feira um nível recorde de seu comércio exterior, o que confirma o vigor de sua economia antes das negociações com os Estados Unidos sobre o delicado tema da taxa de câmbio do iuane.

Os números do comércio exterior são publicados antes dos da inflação, previstos para este sábado, e antes que sejam iniciadas negociações econômicas na próxima semana em Washington entre China e Estados Unidos, que pedem uma valorização substancial da moeda chinesa.

O vigor das exportações, que em novembro aumentaram 34,9% ao ano para 153,3 bilhões de dólares, é um argumento a favor de uma revalorização do iuane, segundo os observadores.

As importações progrediram no mês passado 37,7%, para 130,4 bilhões. Ao crescer a um ritmo mais rápido que as exportações, permitiram uma redução do superávit comercial (22,9 bilhões) em relação ao mês de outubro (27,15 bilhões), segundo números aduaneiros.

"As sociedades de capitais estrangeiros são a principal fonte do superávit comercial", indicaram as aduanas.

Os Estados Unidos consideram que seu importante déficit comercial com a China deve-se a uma desvalorização da moeda chinesa, e por isso faz pressão para que sua taxa de câmbio seja fixada em maior medida pelo mercado, o que Pequim rejeita.

Em uma carta ao vice-primeiro-ministro Wang Qishan, 32 senadores americanos pediram à China "que demonstre seu compromisso em adotar uma taxa de câmbio determinada pelo mercado, e que deixe sua moeda se valorizar de forma significativa", antes de uma visita do presidente chinês Hu Jintao aos Estados Unidos no início de 2011.

"É cada vez mais difícil argumentar que as indústrias exportadoras chinesas não podem suportar uma certa revalorização da moeda, uma medida que também ajudaria a China a controlar os preços" internos, comentou Brian Jackson, economista do Royal Bank of Canada, sediado em Hong Kong.

O governo chinês tomou neste outono (boreal) uma série de medidas para frear a alta dos preços ao consumo, que pode provocar distúrbios sociais.

Nesta sexta-feira, o Banco Central chinês anunciou uma nova alta de 50 pontos básicos ou 0,5%, a 18,5%, da taxa de reserva obrigatória dos bancos, efetiva a partir de segunda-feira, para lutar contra a inflação.

As reservas obrigatórias - a proporção de seus depósitos que os bancos devem colocar no banco central - já foram elevadas cinco vezes neste ano, duas delas no mês de novembro.

Com isso, pretende reduzir os empréstimos, que caíram em novembro menos que o esperado, e limitar a massa monetária, alimentada pelo grande superávit comercial chinês, e que tampouco foi controlada.

A inflação na China elevou-se em outubro, em números anuais, para 4,4%. Para novembro, os economistas citados pela agência Dow Jones esperam cerca de 4,7%. São níveis muito acima dos objetivos oficiais de 3% para este ano.

Além disso, uma importante reunião anual de líderes chineses foi iniciada nesta sexta-feira em Pequim para fixar as orientações do país no próximo ano e finalizar o 12º plano quinquenal (2011-2015).