Mais do que o desenvolvimento do futebol e o fortalecimento de suas seleções nacionais, Rússia e Catar encararam a confirmação como sedes das Copas de 2018 e 2022, na última quinta-feira, em Zurique, como uma oportunidade de quebrar barreiras culturais.
Cada país reclamou, ao seu modo, de sofrer preconceito por visões que consideram estereotipadas. Ambos usaram a expressão "ocidental" para se referirem ao alvo de mudança e o primeiro-ministro russo Vladimir Putin foi incisivo. "A Europa ainda vive com um muro invisível de Berlim".
A referência ao muro, que separou as duas Alemanha de 1961 a 1989 e virou um marco da Guerra Fria, tem apenas um caráter simbólico. Na época, o Oriente socialista e o Ocidente capitalista carregavam antagonismos ideológicos e econômicos que ruíram. Hoje, existem diferenças, mas na visão de Putin a percepção é ampliada pela falta de integração.
"Circulam muito estereótipos da época da Guerra Fria. Isto não corresponde à verdade. A Rússia é um país novo. As pessoas visitarão nossas cidades e terão uma visão diferente da que imaginam. É um país que está se desenvolvendo", disse.
Em determinado ponto de sua entrevista, Putin foi questionado sobre a existência de racismo no país. A pergunta serviu como um prato cheio para o primeiro-ministro defender a tese anteriormente proposta.
"O racismo que você se refere é a tendência verificada em todo o mundo. Ocorre também em outros países europeus, inclusive em partidas de futebol. Também temos estes problemas e temos consciência, mas já sediamos torneios importante e tudo transcorre bem", argumentou.
Na candidatura do Catar, não existe o simbolismo do muro de Berlim, mas o abismo cultural é maior. Uma das preocupações é com a diferença do papel da mulher dentro da sociedade árabe e no resto do mundo. Para o xeque Mohammed bin Hamad Al-Thani, existe exagero.
"Um dos termos que eu mais ouço é o de que as mulheres no Oriente Médio recebem discriminação. Mas isso não é verdade. Tanto que em breve vamos ter um campeonato de futebol feminino do Catar. Tenho certeza que este tipo de estereótipo vai acabar", disse.
A própria campanha do país focava na tentativa de quebrar o estereótipo. A intenção era convidar o "mundo" para conhecer a região e ter a própria impressão da cultura árabe. Não à toa a apresentação contou com imagens de outros povos que habitam o Oriente Médio.