A bancada do PT no Senado se articula para garantir a criação de um bloco para manter sob influência do partido legendas que poderiam ser cooptadas pelo PMDB na Casa. Senadores que farão parte da bancada do PT em 2011 se reuniram nesta quinta-feira, em Brasília, para discutir o assunto.

O partido, que terá 14 representantes no Senado, já dá como certa a formação de um bloco com o PR (5 senadores), PDT (4) e PSB (3). PC do B (2) e PRB (1) também estão sendo assediados pelos petistas.

O bloco teria, ao todo, 29 senadores - mais de um terço dos 81 parlamentares da Casa. Apesar disso, os petistas garantem que não pensam no comando do Senado, que terá maioria peemedebista: “Só vamos formalizar esse bloco em comum acordo com o PMDB e os outros partidos. Nós queremos manter o princípio da proporcionalidade”, afirma o líder da bancada, Aloizio Mercadante. Se o princípio for mesmo aplicado, o PT deve eleger o vice-presidente do Senado e presidirá quatro comissões - além de ficar com a Comissão Mista de Orçamento.

O discurso de respeito à proporcionalidade só muda quando Mercadante é confrontado com a hipótese de o PMDB lançar candidato à Presidência da Câmara, onde o PT tem a maior bancada: “Nesse caso, nós iríamos analisar a situação”, diz o líder – que também nega que a formação do bloco no Senado seja uma reação ao “superbloco” desenhado pelo PMDB na Câmara no mês passado.

PT e PMDB, no entanto, já firmaram um acordo na Câmara dos Deputados, que deve ser assinado na próxima semana, e que define um rodízio na presidência da Casa. Os dois primeiros anos ficarão com o PT e o PMDB deve eleger um nome para presidir a Câmara nos dois últimos anos do governo de Dilma Rousseff.