Por 204 votos a favor, 66 contra e duas abstenções, o Plenário da Câmara aprovou na noite desta quarta-feira (1º) o projeto de lei originário do Executivo que cria o Fundo Social do Pré-sal, reserva de recursos a ser utilizada em investimentos sociais, educação, saúde pública, meio ambiente etc – substitutivo do Senado para o Projeto de Lei 5940/09, originário do Executivo.

Tramitando em regime de urgência (prioridade sobre algumas matérias, segundo critérios regimentais), o texto dos senadores (mantido pelos deputados) foi aprovado com emenda que estabeleceu também a compensação dos prejuízos de estados e municípios produtores de petróleo em decorrência das novas regras de distribuição de recursos, com base no rateio dos fundos de participação dos municípios e estados (FPM e FPE), como define a Constituição.

Originalmente, o PL 5940/09 apenas criava o Fundo Social do Pré-sal, reserva de recursos provenientes das atividades de exploração do minério a ser utilizada nos investimentos sociais, ambientais e de desenvolvimento tecnológico.

Além da regulamentação dos contratos de partilha de produção, o Senado incorporou ao projeto de lei as novas normas de distribuição de royalties (Projeto de Lei 5938/09), descentralizando dos principais estados produtores – como Rio de Janeiro e Espírito Santo – o repasse das riquezas provenientes da extração do minério. Relatada e lida da tribuna pelo deputado Antônio Palocci (PT-SP), a proposição foi reforçada pelo líder do governo no Congresso, Cândido Vacarezza (PT-SP).

As sugestões de alteração no sistema de distribuição dos recursos de produção – de concessão para partilha – foram enviadas ao Congresso pelo governo federal em 31 de agosto de 2009. As propostas definiram, ainda no contexto da distribuição das riquezas originárias da exploração do minério, uma parcela a ser repassada ao governo em barris de petróleo.

Também ficou definido que a Petrobras tenha participação mínima de 30% em todos os consórcios de exploração, em contratos posteriores à nova regulamentação. Além disso, caberá à estatal a função de operadora única das reservas do minério cujos direitos de exploração serão leiloados. A regra vale para as áreas do petróleo pré-sal com direitos de exploração ainda a ser licitados – 2/3 das reservas do recurso natural descobertas em águas profundas.

Protestos

Mantido o artigo com a nova repartição entre os governos estaduais e municipais – principal motivo de discordância entre os representantes estaduais –, a aprovação do texto principal foi anunciada, exatamente à meia-noite. Já no dia seguinte (quinta-feira, 2), Miro Teixeira (PDT-RJ) pediu a palavra e advertiu para as implicações judiciais que, em sua opinião, as controvérsias em torno da matéria suscitarão. “Essa briga está apenas começando.”

Os protestos em relação à pauta de votações se seguiram após o anúncio do resultado – que, por sua vez, foram lamentados por diversos parlamentares fluminenses e capixabas.

“Não há mais acordo de líderes aqui. Acordo de líder aqui é golpe, demagogia”, protestou Chico Alencar (Psol-RJ), referindo-se a um descumprimento de acordo em torno de votação nominal, quando base e oposição discutiram e fizeram algazarra para depois voltar ao ponto de partida (leia mais abaixo).

Já Paes de Lira (PTC-SP) subiu à tribuna para protestar contra o congelamento da Proposta de Emenda à Constituição 300/08, aprovada em julho em primeiro turno, que cria um piso nacional para os policiais militares e bombeiros (leia tudo sobre a PEC 300).

“Negaram uma resposta ao país sobre uma emenda à Constituição importantíssima, que oferece uma esperança àqueles que, com grave risco de vida, nos defendem a todos da sanha do crime”, contestou o deputado paulista, anunciando que contestará a urgência de todas as demais matérias postas em prioridade pelo colégio de líderes. “Os votos dados por unanimidade foram atropelados pelo colégio de líderes.”

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