Os 56 países da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), reuniram-se nesta quarta-feira no Cazaquistão pela primeira vez em 11 anos, reiterando a vontade de reformar a instituição.
"Esta cúpula é um sinal do renascimento da OSCE", disse o presidente cazaque, Nursultan Nazarbayev, que pediu a criação de um "espaço de segurança comum cercado por quatro oceanos, Atlântico, Pacífico, Ártico e Índico".
Em seguida, os dirigentes dos Estados membros pediram uma reforma da OSCE, organização fundada durante a Guerra Fria para favorecer o diálogo entre blocos, mas que logo perdeu sua autoridade.
O secretário-geral da OSCE, Marc Perrin de Brichambaut, destacou "a falta de confiança" e "vontade comum" dos países.
O presidente russo, Dimitri Medvedev, disse que "a organização começou a perder força e é preciso dizer isto abertamente", e mencionou seu projeto de nova estrutura de segurança na Europa.
A chefe da diplomacia americana, Hillary Clinton, pediu por sua vez "medidas concretas para defender a segurança em todas as dimensões".
Os dirigentes insistem na necessidade de adaptação da OSCE aos desafios do século XXI, abordando temas como o terrorismo, tráfico de drogas e o crime organizado.
No entanto, quando temas concretos foram levantados, surgiram diferenças entre a Rússia e os Estados ocidentais.
Os ocidentais militam pelo respeito da integridade territorial da Geórgia, um tema quente, enquanto a Rússia é o único país da OSCE que reconhece a independência das duas regiões georgianas separatistas depois da guerra de agosto de 2008.
O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, advertiu que vai se opor a qualquer declaração final da OSCE que se refira à "integridade territorial da Geórgia segundo suas fronteiras anteriores".
Diplomatas europeus admitiram que as negociações sobre o assunto eram difíceis.
O chefe da diplomacia finlandesa, Alexander Stubb, mostrou-se "prudentemente otimista" sobre a possibilidade de um compromisso "de última hora".
A AFP obteve um documento sobre o objetivo das negociações, mas que ainda é muito vago, enumerando poucas medidas concretas.
Outros assuntos polêmicos são os da democracia e dos Direitos Humanos, que as capitais ocidentais querem incluir na parte central do documento, enquanto que a Rússia e outras repúblicas da ex-União Soviética, entre elas o Cazaquistão, querem limitar as referências aos temas.
O presidente cazaque é criticado por seu polêmico posicionamento na matéria, apesar de a OSCE estar encarregada de garantir que sejam respeitados os princípios democráticos.
O Cazaquistão nunca teve eleições livres, segundo a OSCE, já que o partido presidencial controla todos os assentos do Parlamento e ao presidente foram outorgados poderes e imunidade permanentes.
Nazarbayev garante por sua vez que "criou uma democracia em um lugar do mundo (Ásia Central) onde isto nunca havia existido antes".
Não é esperado nenhum avanço diplomático sobre as crises da ex-União Soviética, como o separatismo da Transnístria, na Moldávia, e o conflito Azerbaijão-Armênia sobre Nagorno-Karabakj.
A cúpula é considerada, no entanto, um êxito pessoal para o presidente cazaque, já que a região nunca havia sido anfitriã de um acontecimento de tal amplitude.
A reunião ocorre em Astana, pequena localidade das estepes congeladas da Ásia Central que Nazarbayev transformou a partir de 1997, graças às receitas de suas vastas reservas petrolíferas, em uma capital de 700 mil habitantes com uma arquitetura futurista.