O site WikiLeaks, que abalou a diplomacia dos Estados Unidos com o maior vazamento de documentos da história, publicou nesta quinta-feira (2) mais um lote de correspondências secretas que envolvem o Brasil e a Olimpíada de 2016, que será realizada no Rio de Janeiro.
No material, as autoridades americanas descrevem que veem oportunidades a explorar no setor de infraestrutura do Brasil, em um documento escrito por conta do apagão em diversos Estados em 2009, mas também na área de segurança.
Os contatos de diplomatas americanos lotados por aqui com seus colegas nos Estados Unidos mostram que, a portas fechadas, o governo brasileiro considera que a segurança será uma preocupação séria nos Jogos Olímpicos.
- Os contados do MRE [Ministério das Relações Exteriores do Brasil] ficam na defensiva em questões de segurança, afirmando aos membros da Missão Brasil (muitas vezes sem serem perguntados) que o Comitê Olímpico Internacional claramente não considera a situação de segurança no Rio inadequada. Fora da resposta padrão do MRE, contudo, oficiais do governo mostraram a compreensão de que a segurança será um sério problema para os jogos.
O documento diz ainda que o conselheiro político militar do ministério Marcos Pinta Gama sugeriu que o Acordo de Informação de Segurança Militar Geral fosse seguido por outro texto para compartilhar informações sobre a segurança durante a Olimpíada. O documento ainda cita a chefe para a Coordenação-Geral de Intercâmbio e Cooperação Esportiva do MRE, Vera Cíntia Alvarez, que teria expressado claramente o temor de um ataque.
- Alvarez chegou a até admitir que terroristas poderiam mirar o Brasil por causa da Olimpíada, uma afirmação muito rara de um governo que oficialmente acredita que o terrorismo no Brasil não existe.
Ministério diz que Brasil não é alvo do terror
Questionada pelo R7, a assessoria de imprensa do ministério respondeu que "o Brasil não é alvo de terrorismo".
- Naturalmente, como a Olimpíada e a Copa do Mundo são eventos de grande importância internacional, serão tomadas as precauções adequadas na área de segurança.
O Palácio do Planalto informou ao R7 que não irá comentar as publicações do site WikiLeaks.
O site já publicou nesta semana documentos que dão indícios da preocupação das autoridades brasileiras com atividades ligadas ao terrorismo na Tríplice Fronteira e com a ligação de comerciantes de São Paulo com o grupo radical islâmico Hezbollah – visto também como um partido no Líbano.
Os documentos anteriores ainda sustentam que o país mascara prisões de envolvidos com terrorismo utilizando outros crimes, como contrabando ou narcotráfico para cobrir a acusação. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, minimizou o efeito do vazamento dos documentos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também tentou diminuir a importância das informações. Já o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim, divulgou um comunicado no qual nega o conteúdo de uma correspondência na qual ele teria criticado o diplomata Samuel Pinheiro, então secretário-geral do Itamaraty (como também é chamado o MRE) e atual ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos.
Os vazamentos, cuja leva mais recente começou no último domingo (28), provocaram uma verdadeira força-tarefa da diplomacia americana para conter seus estragos, com pronunciamentos e encontros da secretária de Estado americana, Hillary Clinton, com diversos líderes.
Ao mesmo tempo, o fundador do WikiLeaks, o australiano Julian Assange é procurado pela Justiça da Suécia por agressões sexuais e estupro.