A invasão da coalização liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão completou nesta sexta a mesma duração da soviética, na década de 1980. Em sua tentativa de estabelecer um Estado socialista, os Exército Vermelho ficou 9 anos e 50 dias no país. O mesmo período foi completado hoje pela luta contra o terror, que iniciou após o 11 de setembro de 2001.

As duas invasões tinham objetivos completamente diferentes, porém ambas possuem resultados bastante incertos. O que começou como uma guerra rápida dos EUA e seus aliados em 07 de outubro de 2001 para acabar com o líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e com o Talibã se transformou em uma longa e árdua campanha. Hoje cerca de 100 mil tropas da Otan estão lutando contra uma insurgência crescente, enquanto apóiam e cultivam uma democracia incipiente.

Uma avaliação do Pentágono divulgada nesta semana avaliou os progressos realizados pelos Estados Unidos no Afeganistão neste ano, desde que foram levadas mais 30 mil tropas para o país, como frágil. O comandante militar dos EUA no Afeganistão, general David Petraeus, disse que objetivo central da Otan é garantir que o Afeganistão "não volte a ser um santuário para a Al-Qaeda ou outros grupos extremistas como era antes do 11 de setembro".

Petraeus disse que a única maneira de alcançar esse objetivo é "ajudar o Afeganistão a desenvolver a capacidade de proteger e governar a si próprio. É impossível chegar aos níveis da Suíça em 10 anos ou menos, mas o objetivo é chegar a um nível que seja bom o suficiente para o Afeganistão."

Para que isso seja possível, há um esforço contínuo para levar os membros do Talibã à mesa de negociações. O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, criou uma comissão para tentar atingir a paz e os militares esperam que sua campanha irá forçar os insurgentes a buscar um acordo.

Quando a União Soviética invadiu o Afeganistão, em 27 de dezembro de 1979, seu objetivo declarado era transformar o Afeganistão em um Estado socialista. Os soviéticos tentaram sustentar um regime comunista que estava enfrentando uma revolta popular, mas deixaram o país derrotados em 15 de fevereiro de 1989.

Em 1992 o presidenteafegão pró-soviético Mohammad Najibullah caiu e rebeldes apoiados pelos EUA tomaram o poder. O Talibã se apossou de Cabul, após uma violenta guerra civil que matou milhares de pessoas, e governou o país com uma interpretação estrita da lei islâmica até que foi deposto pela invasão liderada pelos EUA.