O aumento da tributação sobre aplicações externas em títulos públicos gerou uma retração dos investidores. De acordo com o Tesouro Nacional, a participação dos estrangeiros caiu de 10,23% em setembro para 10,19% em outubro, o primeiro recuo desde a crise financeira do fim de 2008.
Para o coordenador da Dívida Pública, Fernando Garrido, a queda 'reflete, sim, o impacto do IOF'. 'A gente observou menor participação dos estrangeiros nos leilões do Tesouro em outubro, demanda que continuou menor neste mês de novembro', comentou.
Ele acredita, porém, que a retração maior é de parte do investidor estrangeiro que busca o curto prazo, o mais afetado pelo aumento do IOF. Acrescenta que a tendência é de continuidade de aumento gradual para quem aplica em papéis do governo de médio e longo prazos, como fundos de pensão e seguradoras estrangeiras.
Garrido lembra ainda que a queda foi em percentual, porque, na verdade, em termos nominais, a parcela externa saiu de R$ 154,1 bilhões em setembro para R$ 155,3 bilhões em outubro.
'É natural que os estrangeiros parem para refletir, num primeiro momento, após o aumento do IOF', disse Garrido.
Em outubro, o governo elevou duas vezes a alíquota de IOF no ingresso de recursos estrangeiros para renda fixa no país, agora em 6%.
'Nas operações de curto prazo, a rentabilidade realmente cai com a alíquota maior. No longo prazo, não faz muita diferença', disse Garrido, deixando claro que o governo procurou atingir o capital especulativo de curto prazo, que entra no país para ganhar com o juro interno elevado.