O desemprego no Brasil já está no menor patamar da história e deve continuar diminuindo neste ano. Na estimativa dos economistas da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), a taxa de desocupação pode chegar a um dígito até dezembro. Em números, a taxa pode passar de 10,8% para algo perto de 9%.
A PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) de outubro mostrou que, de cada 100 pessoas em idade para trabalhar (a partir dos dez anos), entre 10 e 11 não tinham nenhum trabalho. As outras estavam ocupadas, mesmo que na informalidade. Se a taxa cair mais, significaria dizer que, entre as mesmas 100, 9 não terão emprego.
Hoje, os desempregados somam 2,4 milhões de pessoas entre as 22,21 milhões do grupo economicamente ativo. Para o economista Sérgio Mendonça, diretor do Dieese, o desemprego já está recuando em um nível sustentável desde o fim de 2009 e deve continuar assim em 2011.
- A não ser que o mundo volte ao abismo, com uma nova crise nos Estados Unidos ou um problema sério na China, o desemprego no Brasil vai continuar caindo. Até nas cidades onde a taxa ainda é alta, o desemprego está menor do que no passado.
A pesquisa, divulgada nesta quarta-feira (24), leva em conta o mercado de trabalho de sete regiões metropolitanas do Brasil - São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e Distrito Federal. Entre elas, somente São Paulo ainda não bateu no menor índice da história.
Na região metropolitana paulista, a taxa de desemprego caiu de 13,2%, em outubro do ano passado, para 10,9%. Em outubro de 1991, o número estava em 10,7%. A diferença é que, há 19 anos, o mercado de trabalho em São Paulo não tinha o número de pessoas que tem hoje. No mês passado, das 10,76 milhões de pessoas com idade para trabalhar, em torno de 1,17 milhão não faziam nada.
A Grande Belo Horizonte (MG) é a área que tem o menor desemprego do Brasil: a taxa lá estava em 7,2%. Em outubro de 2009, esse número era de 10%. Em outras palavras, significa que de cada 100 pessoas, 10 não tinham emprego no ano passado; hoje, são 7.
As regiões metropolitanas de Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS) também têm níveis de desemprego de um dígito – 7,9% e 8,2%, respectivamente – e estão entre as menores taxas do país. Em outubro do ano passado, esses números estavam em 10% e 10,4%.
Em Brasília, a taxa saiu de 15,1%, um ano atrás, para 13,1%. Em Salvador, capital onde o desemprego está nos maiores níveis, o percentual de desocupados foi de 18,7% para 15,4% entre outubro de 2009 e deste ano. Os investimentos feitos em infraestrutura (principalmente no setor de construção) no Recife (PE) causaram um forte aumento nas vagas, derrubando o desemprego de 19,2% para 14,1% em um ano.
Mendonça explica que o mercado de trabalho verifica um movimento de geração de empregos “virtuosa”.
- Temos o melhor dos mundos aqui, porque entra gente no mercado ao mesmo tempo em que as empresas geram mais vagas do que esse número de trabalhadores. Então, todos os que chegam conseguem emprego; e quem não tinha o que fazer, arranja.
De janeiro a outubro, o Ministério do Trabalho diz que foram criados 2,4 milhões de postos de trabalho formais, recorde para o período. Com dois meses pela frente, o governo diz que precisa criar 93.790 vagas para bater a meta de criar 2,5 milhões de postos em 2010. Para 2011, a expectativa é de chegar a 3 milhões.
- Hoje, a falta de trabalho já não é a maior preocupação do brasileiro como foi nos anos 1990. O trabalhador quer saber de outras coisas como saúde, educação, transporte. Estamos em uma nova fase, em que a preocupação não deveria ser a de manter um desemprego de um dígito no fim do ano, mas em toda a década.