A Polícia Federal, por meio das delegacias de Araraquara e Marília (no interior de São Paulo), prendeu, nesta terça-feira, após sete meses de investigações, três advogados - um homem e duas mulheres - durante a operação "Longa Manus". Eles são acusados de envolvimento com o tráfico de drogas. Os três aproveitariam as prerrogativas da profissão para "trabalharem" levando informações criminosas a pedido do Orlando Marques dos Santos, o Seu Orlando.
O detento, que é um antigo conhecido da PF, é condenado por tráfico internacional de drogas e considerado um dos homens mais importantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A quadrilha, que age dentro e fora dos presídios paulistas, considera Seu Orlando um "simpatizante". Atualmente, ele cumpre pena na Penitenciária de Avaré.
A PF deve dar detalhes do caso em uma entrevista coletiva ainda nesta terça. Um homem e uma mulher foram presos dentro de casa, em Araraquara. A outra mulher foi detida também dentro da própria residência na cidade de Cândido Mota. Com ela, foram encontradas cartas de um membro do PCC. Mais duas profissionais estariam com prisão decretada. A Justiça Federal determinou a prisão temporária delas por 30 dias.
Em nota, a PF diz que foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e nove mandados de prisão temporária de 30 dias, em todo o Estado. As investigações começaram em maio deste ano. Provas colhidas indicam que alguns advogados estariam extrapolando sua atuação profissional na defesa de seus clientes presos e "agindo como intermediários das ordens transmitidas pelo criminoso aos braços operacionais da quadrilha".
Os advogados usavam de suas prerrogativas profissionais e faziam visitas quase que diárias, levando e trazendo informações permitindo o funcionamento da quadrilha. Também de acordo com a PF, Orlando Marques dos Santos, apesar de recluso, continuava explorando a atividade ilícita do tráfico. Durante a investigação, 200 quilos de cocaína e três toneladas de maconha - que seriam dele - foram apreendidos.
Os advogados foram indiciados por crime de associação para o tráfico de drogas e tráfico de drogas. As penas, juntas, vão de 8 a 25 anos de prisão. Eles estão sendo levados à PF de Marília para prestar depoimento.