Críticas à baixa execução das emendas de bancadas dominaram a reunião do relator-geral do projeto de Orçamento da União, Gim Argello (PTB-DF), com os relatores setoriais, na manhã desta terça-feira (23). Levantamento analisado pelos parlamentares durante o encontro na Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO) revela que, na maioria dos casos, o desejo das bancadas não é levado em conta na execução do Orçamento pelo governo federal.
A bancada do Rio Grande do Norte, por exemplo, colocou no Orçamento de 2010 emenda de R$ 323,4 milhões, mas nenhum centavo foi executado. A bancada do Pará, no mesmo ano, conseguiu R$ 417,3 milhões, mas somente R$ 295 mil (ou 0,1%) foram efetivamente gastos em obras ou serviços previstos na proposta. O Espírito Santo deveria ter sido beneficiado com R$ 285,5 milhões acrescentado por sua bancada no Orçamento de 2010, mas o total efetivamente gasto foi de apenas R$ 1,7 milhão, ou 0,6%.
Campeões
O campeão na execução de emendas ao Orçamento de 2010 é o Mato Grosso do Sul, com 30,3%, seguido do Distrito Federal (18,1%), de Rondônia (17,7%) e de Sergipe (16,1%).
Mesmo nesses estados o percentual de execução foi considerado baixo pelos parlamentares, que discutiram estratégias para resolver o problema. Uma delas é assegurar maior integração das emendas de bancadas aos programas do governo federal no estado. Outra ideia discutida pelos participantes da reunião foi a elaboração de uma "carteira de projetos", um conjunto de obras e serviços que teria recursos federais, estaduais e municipais.
Comissões
As emendas de comissões permanentes do Senado e da Câmara são, por outro lado, quase integralmente executadas. É o caso, por exemplo, das comissões do Senado de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) e a de Agricultura e Reforma Agrária (CRA), com 100% e 97,2% de execução orçamentária, respectivamente.
De acordo com alguns parlamentares, as dotações de muitos ministérios, como o do Esporte, são compostas basicamente dessas emendas - o que explica o alto nível de execução pelo governo federal.
Valores
Veja abaixo a execução das emendas de bancadas no Orçamento de 2010:
Bancada
Valores das emendas (R$)
Máximo liquidado (R$) *
% de execução
Acre
312.201.447
14.298.000
4,6
Alagoas
374.577.136
44.132.568
11,8
Amazonas
314.491.572
17.434.171
5,5
Amapá
285.584.726
22.100.000
7,7
Bahia
496.368.437
67.328.978
13,6
Ceará
492.142.456
13.000.000
2,6
Distrito Federal
287.134.965
51.878.595
18,1
Espírito Santo
285.537.248
1.700.000
0,6
Goiás
430.436.680
65.963.970
15,3
Maranhão
440.323.294
19.163.226
4,4
Minas Gerais
876.823.509
86.347.119
9,8
Mato Grosso do Sul
425.140.775
128.928.401
30,3
Mato Grosso
439.620.996
16.885.000
3,8
Pará
417.310.515
295.300
0,1
Paraíba
517.878.365
20.887.500
4,0
Pernambuco
544.471.233
19.066.172
3,5
Piauí
383.861.454
22.158.309
5,8
Paraná
387.396.498
22.026.026
5,7
Rio de Janeiro
624.323.945
31.781.546
5,1
Rio Grande do Norte
323.404.489
-
0
Rondônia
396.437.645
70.096.011
17,7
Roraima
430.952.525
22.660.146
5,3
Rio Grande do Sul
489.601.340
10.300.000
2,1
Santa Catarina
341.634.950
12.880.854
3,8
Sergipe
285.525.399
45.990.750
16,1
São Paulo
631.221.945
76.145.000
12,1
Tocantins
535.636.567
11.809.073
2,2
(*) Limitado ao valor da emenda ou ao valor autorizado.