O ex-vice-presidente da República Democrática do Congo, Jean-Pierre Bemba, se senta a partir desta segunda-feira no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional (TPI) com sede em Haia, que pela primeira vez julga um alto cargo por crimes de guerra. Também é a primeira vez que um rebelde congolês responde a acusações supostamente cometidas na República Centro-Africana, já que os processos contra Thomas Lubaga, Germain Katanga e Mathiu Ngudjolo Chui se referiam a crimes cometidos no Congo.
O julgamento desta segunda-feira, presidido pela juíza brasileira Sylvia Steiner, será aberto com as alegações iniciais da promotoria, que deve chamar cerca de 40 testemunhas durante o processo. A defesa e os representantes de 779 vítimas serão ouvidos, previsivelmente, em audiências sucessivas.
Jean-Pierre Bemba, 48 anos, e vice-presidente congolês de 2003 a 2006, enfrenta cinco acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, supostamente cometidos na República Centro-Africana entre 2002 e 2003. A promotoria do TPI diz que as tropas de Bemba cometeram assassinatos e usaram o estupro de mulheres como arma de guerra para atemorizar a população.
Por sua parte, Bemba se declarou inocente das acusações e tentou, sem sucesso, parar o julgamento, alegando que os possíveis crimes já foram investigados na República Centro-Africana. Bemba foi preso em 24 maio de 2008, em Bruxelas, de acordo com a ordem de detenção internacional e no dia 3 de julho deste ano foi transferido para as dependências penitenciárias do TPI.