O superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos do Estado do Rio, Cláudio Nascimento, afirmou, na tarde desta terça-feira, que o estudante de 19 anos baleado no Arpoador, na noite de domingo, tem condições de reconhecer o militar que, segundo ele, fez o disparo. De acordo com Nascimento, o rapaz fez uma descrição detalhada do agressor. “Ele deu características físicas muito peculiares”, afirmou Nascimento, que não revela detalhes da descrição. A Secretaria Estadual de Direitos Humanis – órgão ao qual está ligado a superintendência – solicitou fotos dos 27 soldados que estavam de plantão na noite de domingo, para que a vítima faça o reconhecimento.
Apesar de considerar eficiente e respeitoso o atendimento dado pela polícia do Rio de Janeiro ao caso, para Nascimento, o ocorrido com o jovem é apenas a "ponta do iceberg”. “Temos dados que apontam um homossexual assassinado a cada dia no Brasil”, advertiu.
De acordo com o presidente do Grupo Arco-Íris, Julio Moreira, “quem mata um homossexual acha que está fazendo uma limpeza social”. “No caso do Douglas, houve a intenção de matar. Isso levanta a questão de termos que nos esconder em locais ermos e escuros para demonstrar nosso afeto”, disse Moreira.
Cor da farda - Um detalhe apresentado pela vítima pode, no entanto, complicar as investigações. Segundo o estudante, o autor do disparo trajava uma “farda camuflada de tom azulado”. Como as fardas do Exército são verdes, o relações-públicas da instituição, coronel Ênio Zanan, acredita que o agressor não seja militar. “Nossa farda é muito conhecida e não é azul. Não foi um militar do Exército Brasileiro quem cometeu esse delito. Para caracterizar que não temos nada a ver com o fato, abrimos uma sindicância. Vamos provar na Justiça que não foi o Exército. O Comando Militar do Leste não aceita esse tipo de dúvida quanto à seriedade da instituição”, afirmou.
Zanan ressaltou ainda o fato de o Forte de Copacabana, unidade de onde teriam partido os agressores do jovem, ser uma unidade cultural do Exército. “O Forte é o terceiro ponto turístico mais visitado no Rio. Achamos muito improvável que alguém de lá tenha cometido um crime desses. Além do mais, verificamos as armas e todas estavam intactas”, acrescentou.
Parada do orgulho LGBT – O tiro contra o jovem de 19 anos ocorreu depois da Parada do Orgulho LGBT, realizada na Praia de Copacabana. O rapaz contou que estava com um grupo de amigos – todos homossexuais – no Arpoador e teria sido abordado por três supostos militares. Os rapazes teriam sido obrigados a apresentar documentos e, segundo relatam, sofreram humilhações. Depois de ser agarrado por um militar, o jovem caiu no chão e foi alvejado. A vítima está fora de perigo.
Na quinta-feira, o oficial de dia do Forte de Copacabana vai prestar depoimento na 14ª DP (Leblon), onde o caso foi registrado.