Ataques contra cristãos mataram pelo menos quatro pessoas e deixaram dezenas de feridos entre esta terça-feira (9) e esta quarta-feira (10) em Bagdá, segundo fontes de segurança. Os atentados com bombas e morteiros ocorrem dez dias depois da invasão de uma igreja católica no Iraque, com saldo de 64 mortos.
Os números sobre vítimas fatais ainda são divergentes na mídia internacional. O jornal americano The New York Times fala em ao menos quatro mortos, já a britânica BBC reporta cinco e a agência France Presse noticia seis.
A minoria cristã teme que insurgentes muçulmanos sunitas estejam tentando expulsá-los do país e reabrir o conflito sectário iraquiano. O país vive sob tensão política desde as inconclusivas eleições de março, que causam disputas entre sunitas, xiitas e curdos pela formação do novo governo.
Bombas e granadas de morteiros explodiram em mais de 12 ataques contra alvos cristãos em Bagdá entre a noite desta terça-feira e a madrugada desta quarta, segundo autoridades. Uma fonte policial disse que havia três mortos e 37 feridos; outra fonte, do Ministério do Interior, falou em quatro mortos e 33 feridos. Ambas pediram anonimato.
Emmanuel 3º Delly, patriarca religioso caldeu de Bagdá, estava com a voz trêmula quando falou por telefone à agência de notícias Reuters.
- O que podemos fazer? Estão caçando os cristãos em cada bairro de Bagdá. Não podemos fazer nada para impedi-los, a não ser rezar a Deus para pararem esses crimes.
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Al Qaeda reivindicou vários ataques
Insurgentes ligados à rede terrorista Al Qaeda reivindicaram a autoria de vários ataques recentes, aparentemente numa tentativa de reavivar a violência sectária que deixou o Iraque à beira de uma guerra civil em 2003.
No último dia 31, 52 pessoas, entre reféns e policiais, morreram durante a invasão da catedral de Nossa Senhora da Salvação, no centro de Bagdá. Depois disso, o governo prometeu dar mais segurança aos cristãos.
Dois dias após o incidente, uma série de explosões em bairros xiitas da cidade deixou pelo menos 63 mortos.
Os ataques dos últimos dois dias aconteceram em várias áreas de Bagdá. Granadas de morteiros caíram no bairro de Doura (zona sul), e bombas foram deixadas perto de casas de cristãos em Doura, no Acampamento Sara (leste), em Adhamiya (norte), Mansour (oeste), Karrada (centro) e outros bairros.
Um Noora, 46 anos, funcionária pública cristã que vive no Acampamento Sara, diz que ficou aterrorizada e está pensando em sair do país.
- Todo o meu corpo está tremendo. Não fui trabalhar hoje. Não deixei que minha filha fosse para a universidade. Não sabemos qual é o nosso destino, eles podem nos atacar a qualquer momento, só Deus sabe.
O patriarca Delly disse que evidentemente os insurgentes estão tentando expulsar os cristãos do Iraque.
- O Iraque é o nosso amado país, e os muçulmanos são nossos irmãos, então por que estão fazendo isso? Por que estão nos alvejando?"
Conselho de Segurança critica o ataque
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) criticou nesta quarta-feira os ataques contra cristãos e muçulmanos no Iraque.
Existe um "desejo deliberado de destruir a comunidade cristã", que está "na linha de frente na luta pela democracia", afirmou o embaixador da França nas Nações Unidas, Gerard Araud.
O Conselho de Segurança da ONU está "consternado e condenou nos termos mais fortes a recente onda de ataques terroristas no Iraque, incluindo o ocorrido hoje", afirmou o embaixador britânico, Mark Lyall Grant, ao ler uma declaração.