Piratas somalis receberam estimados US$ 12,3 milhões (R$ 20,6 milhões) em resgate recente em troca da liberação de dois navios e seus tripulantes.
O resgate do petroleiro sul-coreano Samho Dream custou cerca de US$ 9,5 milhões, uma soma recorde paga aos corsários. Sua soltura é esperada para este sábado (6).
O navio, que levava US$ 170 milhões em petróleo do Iraque aos Estados Unidos, foi sequestrado em abril, no oceano Índico, uma área vista como relativamente protegida da ação de piratas. Sua tripulação de cinco sul-coreanos e 19 filipinos foi feita refém.
Outro resgate milionário - US$ 2,8 milhões - foi pago pela liberação do Golden Blessing, um navio de bandeira de Cingapura com tripulação de 23 chineses, sequestrados também em abril. Segundo o correspondente da BBC em Nairóbi, Kevin Mwachiro, o navio já está sob custódia de autoridades chinesas.
Acredita-se que ao menos 25 navios ainda estejam na costa da Somália sob o domínio de piratas, atuantes principalmente no golfo de Áden, uma das rotas marítimas mais movimentadas e perigosas do mundo.
Entre janeiro e setembro de 2010, piratas invadiram 128 navios, em ações que resultaram em um tripulante morto, 27 feridos e 773 feitos reféns, segundo o Birô Marítimo Internacional. É o índice mais alto de sequestros nos últimos cinco anos, e os piratas somalis são responsáveis pela maioria dos casos.
A fragilidade do governo somali é apontada como um dos fatores que facilitam a atuação dos piratas.
Uma corte especial para julgar os corsários detidos foi montada no Quênia, a partir de acordo firmado com a União Europeia, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, o Canadá, a China e a Dinamarca.