O alto índice de abstenções influenciou diretamente no resultado das urnas. De acordo com o cientista político Alberto Saldanha, as ausências estreitaram a diferença dos votos entre os candidatos. “É difícil dizer quem foi beneficiado, mas as ausências diminuíram a diferença entre os dois”, atenta.

Isso porque o segundo turno foi, praticamente, a repetição do primeiro. “A única diferença foi a investida pesada dos senadores Renan Calheiros (PMDB) e Fernando Collor de Mello (PTB) na candidatura de Ronaldo Lessa (PDT). Mas não foi suficiente. O tucano venceu em 68 no primeiro turno, enquanto que no segundo, ele repetiu a escrita em 65”, pontuou o pesquisador.

Já nos grandes centros eleitorais, como Maceió e Arapiraca, Teotonio Vilela Filho (PSDB), não deixou que seu adversário se aproximasse ou virasse o resultado. “Em Maceió, a diferença foi menos de um ponto percentual. Já em Arapiraca, a vitória tucana foi expressiva”, explica Saldanha. Mas foram em municípios como Rio Largo, Murici e Matriz do Camaragibe que reservaram a grande surpresa das urnas.

“Em Rio Largo, por exemplo, Vilela levou com 60% dos votos. Trata-se de um município fundamentalmente Lessista. São por essas e outras questões que Lessa não conseguiu tirar a diferença e manteve equilíbrio semelhante ao do primeiro turno”, fundamenta o cientista político. Por esses motivos, valeu o resultado divulgado pelo IBOPE na última sexta-feira (29).