Carregando velas, bandeiras e flores, milhares de argentinos fazem vigília nesta quinta-feira pelo ex-presidente Néstor Kirchner, morto aos 60 anos na última quarta-feira. Eles esperam pela abertura das portas da Casa Rosada, onde está sendo velado o corpo do líder peronista desde as 9 horas. A visitação será aberta ao público e deve durar até sexta-feira.
Centenas de jovens militantes permaneceram toda a noite na Praça de Maio, em frente à sede do governo, e já de madrugada começaram a formar uma fila para garantir sua entrada no velório. Guardada por um forte esquema de segurança, a praça amanheceu coberta por flores e mensagens. "Força, Cristina” e “Precisamos de você mais do que nunca. Estamos com você" foram duas das mensagens escritas entre as centenas de cartazes de apoio à presidente, Cristina Kirchner, viúva de Néstor.
O corpo do ex-presidente chegou a Buenos Aires de madrugada. Depois do velório, será novamente transportado para o sul da Argentina, para a província de Santa Cruz, na Patagônia, onde Kirchner nasceu. Nas paredes em torno do caixão, há imagens do ex-presidente Juan Perón, da Argentina, e Salvador Allende, do Chile, além do guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara, entre outros.
Os presidentes dos países membros da Unasul, da qual Kirchner era secretário-geral, começaram a chegar a Buenos Aires na manhã desta quinta-feira para prestar as últimas homenagens. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que decretou luto oficial de três dias no Brasil e definiu Kirchner como “fraternal amigo”, deve ir ao velório na sexta-feira.
Emocionada, Cristina recebeu o abraço do astro do futebol argentino, Diego Maradona, que esteve no velório. “As coisas não são fáceis, mas ela vai encontrar uma maneira de fazer com que esta morte não seja em vão", disse Aníbal Fernández, chefe de gabinete. Néstor e Cristina se conheceram nos anos 1970, quando cursavam a faculdade de Direito e militavam na ala esquerdista do peronismo na Universidade de La Plata. Tiveram dois filhos: Máximo, de 32 anos, e Florencia, 19.
