Após sentir um tremor ainda dentro da cabana de um resort na Indonésia, o brasileiro Fábio Junqueira Karkow, de 46 anos, não tinha certeza de que se tratava de um terremoto. Cinco minutos depois, quando ouviu um forte ronco vindo do mar, só teve tempo de correr para um lugar mais alto e observar o estrago feito pelo tsunami que atingiu as ilhas Mentawai, no oeste do país, na última terça-feira (26).

Um terremoto de 7,7 graus de magnitude registrado na última segunda-feira (25) levou a formação de um tsunami que devastou a região. Karkow disse que no momento do impacto ele se lembrou do tsunami de 2004, que deixou cerca de 225 mil mortos.

- Estava dormindo e fui acordado pelo tremor. Estava sozinho. Ouvi um ronco crescente vindo do mar. Dei uma espiada, mas não esperei muito. Em minutos, caiu a ficha

O brasileiro estava no país há quase um mês para surfar.

- O terremoto sentido em terra não foi capaz de derrubar a TV e os móveis da cabana, mas as ondas que seguiram o tremor destruíram todo o primeiro piso do resort onde estava hospedado. Só ficaram as árvores

Ele disse que não houve aviso algum para os habitantes da região e que nas ruas, as pessoas gritavam a palavra terremoto, em pânico.

- Estava pensando no que ia fazer. Pensei em colocar o colchão na rua, com medo de um tremor mais forte. Apenas o ruído do mar fez com que alguns procurassem lugares mais altos para se proteger. Não levei nada nas mãos. Todo mundo gritava 'sobe, sobe’.

Sistema de alerta de tsunami não estava funcionando no momento da tragédia

O sistema de alerta da Indonésia, criado há seis anos, não funcionava no momento do tsunami. Após escapar das ondas, o brasileiro, acompanhado de outros turistas, esperou as águas baixarem e caminhou por cerca de 2 km.

- A água batia nos joelhos.

Em um vilarejo próximo, o grupo foi resgatado por um lancha que ajudava vítimas da tragédia e levado para um local próximo que não havia sido atingido.

Karkow está em Jacarta, capital da Indonésia, e aguarda o voo de volta para o Brasil ainda nesta quinta-feira (28). Após chegar em São Paulo, ele segue para Florianópolis.

Segundo o brasileiro, a maioria das pessoas que passa férias em um lugar paradisíaco retorna para casa com tristeza e vontade de ficar um pouco mais.

- Estava no paraíso das ondas, mas volto mais feliz porque vou ver meus entes queridos, de braços abertos.