O delegado João Reis Belo, da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), em Campo Grande (MS), informou nesta quarta-feira que o prefeito de Alcinópolis, Manuel Nunes (PR), não é investigado como envolvido no assassinato do vereador Carlos Antônio Carneiro (PDT), 40 anos, na terça-feira. A suspeita sobre o prefeito do município foi levantada pelo pai do vereador, Alcino Carneiro (PDT), que atualmente é vice-prefeito em Alcinópolis.
O responsável pelas investigações, delegado Miguel Said disse que as últimas declarações sobre o caso foram dadas nesta manhã, durante coletiva na sede da delegacia, e que o inquérito vai correr em sigilo. "Precisamos de mais informações e, para que as investigações sigam sem problemas, vamos decretar segredo de Justiça até que o caso seja solucionado", afirmou.
Nesta manhã, Reis Belo detalhou a prisão dos pistoleiros envolvidos na morte e ainda informou que ao menos "por enquanto" desconhece qualquer participação do prefeito de Alcinópolis no assassinato do vereador. "Temos informações de problemas entre os dois, mas ainda estamos investigando e não podemos afirmar nada nesse sentido", disse.
Documentos encontrados no carro do vereador, que teria chegado a Campo Grande ontem para denunciar o prefeito ao Ministério Público Estadual (MPE) por modificações no orçamento municipal, indicariam a gravidade das denúncias, mas conforme o delegado, "o conteúdo não será divulgado para não atrapalhar as investigações".
A reportagem do Terra tentou, sem sucesso, contato com a prefeitura de Alcinópolis.
Pistoleiro diz ter hesitado em cometer o crime
Entre as informações repassadas pelo delegado está a de que o crime teria sido encomendado há pelo menos dois meses, conforme depoimento de um dos três presos, Irineu Maciel, 37 anos. Os outros dois presos são Aparecido Sousa Fernandes, 34 anos, e o cunhado de Irineu, Valdemir Valsan, 43 anos. Reis Belo disse que outras duas tentativas de assassinato do vereador teriam sido realizadas. "Irineu contou que há dois meses esteve em Alcinópolis para tentar matar o vereador, mas, por ser uma cidade pequena, ele pensou na dificuldade da fuga e desistiu do crime", disse.
O suspeito teria retornado à cidade pouco antes do primeiro turno das eleições, no dia 3 de outubro, mas teria desistido de efetuar o assassinato mais uma vez. Conforme o delegado, Irineu teria pensado em desistir do crime, mas, como já teria recebido R$ 3 mil dos R$ 20 mil prometidos, manteve a ação.
O crime
O vereador foi assassinado na manhã de ontem, quando saía do Hotel Vale Verde, na avenida Afonso Pena, em Campo Grande. Ele foi até o local para almoçar com um hóspede, mas, ao chegar, soube que não havia nenhum hóspede com o nome que procurava e foi embora.
A via é uma das mais movimentadas da cidade e os dois envolvidos presos em flagrante - Irineu e Aparecido - foram pegos porque uma viatura descaracteriza da Polícia Civil passava pelo local no momento dos disparos. Ao verificarem que o autor dos tiros fugia em uma moto, eles iniciaram a perseguição e prenderam ambos.
Apesar de detalhes do depoimento de Irineu, que até o momento é o único que confessou envolvimento, não há informações sobre quem teria encomendado a morte do vereador. O delegado Belo afirma que o pistoleiro nega saber quem é o mandante. Aparecido teria sido contratado para dar suporte à fuga de Irineu e disse à polícia que foi contratado apenas para conduzir a motocicleta utilizada. Já Valdemir seria o intermediador do assassinato e, além de negar envolvimento, também nega conhecer a pessoa que teria encomendado o crime.
Na manhã de hoje, pouco antes da coletiva na sede da Depac, a viatura que transportava Aparecido e Valdemir se envolveu em um acidente e ambos foram encaminhados para a Santa Casa de Campo Grande. Por conta disso, eles não foram apresentados pela polícia.