Em um debate marcado pelas acusações de parte a parte, os dois candidatos à presidência, Dilma Roussef (PT) e José Serra (PSDB) se encontraram na noite de hoje, na TV Record.
Entre os ataques envolvendo Erenice e Paulo Preto, o Brasil viu mais uma vez o candidato Serra usar o nome do senador alagoano Fernando Collor para atacar Dilma. Ele disse que o ex-presidente é um “fervoroso” militante de Dilma e que ele teria trocado uma diretoria na BR Distribuidora por este apoio.
Dilma ignorou as duas vezes que Serra citou Collor no debate e nem sequer chegou a responder as acusações.
Acompanhe abaixo um resumo do debate:
Atrás nas pesquisas de intenção de voto, o candidato José Serra (PSDB) saiu do tom moderado e adotou uma postura mais combativa contra a adversária na disputa presidencial, Dilma Rousseff (PT), no debate entre ambos na TV Record.
Mais sério do que em debates anteriores, o tucano foi ao ataque usando os escândalos na Casa Civil, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra) e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e tentou inverter as acusações feitas a ele pela campanha petista, que o chama de privatista. Nos temas da banda larga e da Petrobrás, Serra sugeriu que quem trabalhou pela privatização foi Dilma.
A candidata petista rebateu os ataques e, em geral, contra-atacou. Quando o assunto foi a Casa Civil e Erenice Guerra, Dilma trouxe novamente à tona as acusações envolvendo o ex-diretor da Dersa, Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto e insistiu no assunto por três vezes.
ESCÂNDALOS
Serra foi o primeiro a abordor a temática dos escândalos e citou a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que hoje prestou depoimento à Polícia Federal no caso em que é acusada de tráfico de influência.
Dilma se apressou em responder com um argumento já usado em outros debates e partiu para o contra-ataque, ao tratar de Paulo Preto.
"A seis dias da eleição nós temos um fato importante. A ex-ministra depôs na Polícia Federal. O que dizer do Paulo Preto, que quando te ameaça você esconde o que ele faz? Ele está envolvido na operação Castelo de Areia por desvio de recursos", disse a candidata petista.
Serra rebateu afirmando que a campanha petista inventa "um rosário de mentiras" sobre ele.
"Vocês inventam uma coisa de que aconteceu uma contribuição que eu não recebi e ele teria recebido. Primeiro que eu seria a vítima. Quem tem que investigar é a Polícia Federal. Ele sequer foi chamado para depôr", pontuou.
Dilma insistiu no assunto Paulo Preto.
"A Polícia Civil de São Paulo poderia investigar o fato de que ele foi preso por receptação de joias roubadas. Além disso, vocês poderiam pelo menos ter aberto uma sindicância para investigar esses malfeitos. Tem gente que investiga e pune, tem gente que acoberta e considera a pessoa que fez o malfeito competente e séria".
Serra, então, recorreu aos escândalos na Casa Civil novamente.
"Ela [Dilma] teve como braço direito uma mulher que montou um esquema amplo de corrupção. Aliás, foi a mulher que a Dilma deixou pra ocupar o lugar dela".
A petista fez graça quando Serra usou novamente a expressão "trololó".
"O candidato Serra quando está pressionado inventa essa historia de trololó. É muito importante que responda pelo senhor Paulo Preto. É braço direito, esquerdo e se duvidar é a cabeça também."
PRIVATIZAÇÃO
Nas quatro perguntas do segundo bloco, o assunto privatização foi debatido ou citado pelos presidenciáveis com os mesmos argumentos usados na propaganda eleitoral.
Serra acusou Dilma de "mentirosamente" dizer que ele quer privatizar o pré-sal. No entanto, segundo o tucano, a petista --como presidente do Conselho de Administração da Petrobras-- entregou a exploração do petróleo brasileiro para 108 empresas privadas, "metade para estrangeiras e metade nacionais".
Segundo Dilma, as concessões foram dadas antes da descoberta do pré-sal, um "bilhete premiado".
"Você está misturando um momento quando não existia o pré-sal, com o momento em que existia."
Ela ainda citou a entrevista do deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) à Folha desta segunda-feira, na qual afirma que a Petrobras não tem como explorar sozinha o pré-sal.
"Uma pessoa importante do PSDB declarou que está errado esse modelo de operar a Petrobras", afirmou a petista.
Em sua resposta, Serra afirmou que isso favoreceu até uma multinacional, a White Martins.
"Tínhamos uma regra do jogo. Essa regra valia para esse petróleo de baixa qualidade. quando a gente viu que havia um bilhete premiado, nós mudamos o modelo", rebateu Dilma.
Ao ser questionado pela adversária sobre a criação de empregos, Serra voltou a falar do petróleo.
"Eu duvido que alguém tenha entendido o que a Dilma explicou", afirmou o tucano. Segundo ele, a petista foi a pessoa que mais entregou a exploração de petróleo para empresas privadas no mundo.
"O que eu quero fazer é reestatizar a Petrobras", afirmou Serra.
"Você ficou caladinho quando quiseram mudar a Petrobrás para Petrobrax", respondeu Dilma sobre a ideia surgida no governo Fernando Henrique Cardoso.
"O diretor de marketing teve uma ideia ao meu ver tola", disse o tucano sobre a questão.
O presidenciável ainda afirmou que o governo entregou parte da Petrobrás para o comando do ex-presidente Fernando Collor. Na sua última fala, no terceiro bloco, Serra afirmou que houve também na administração Dilma na Petrobras privatização do pré-sal.
Outro assunto debatido no bloco foi a segurança, com os candidatos apresentando propostas já ditas durante a campanha.
Na quarta pergunta, Dilma questionou Serra sobre o desmatamento. Na discussão, a petista defendeu as metas fixadas pelo governo Lula para reduzir em 39% as emissões de gás carbônico do país até 2020. Segundo ela, isso inclui reduzir em 80% o desmatamento na Amazônia e em 40% no cerrado.
"Temos um compromisso claro com essas metas", afirmou. Ao tréplicar, Serra prometeu fazer o "desmatamento zero" na Amazônia. O tucano disse ainda, que enquanto Dilma estava no governo, se posicionou contra o Fundo Internacional do Meio Ambiente.
PAC
Questionado por Dilma sobre o Programa de Aceleração do Crescimento e projetos de investimento para o Nordeste, Serra disparou contra o PAC e afirmou que não há "planejamento" nem "entrosamento" entre as obras.
"Teve um índice de realização pequeno. Talvez um sétimo foi de fato realizado", disse. "Há muito mais saliva, muito mais propaganda do que realização".
O tucano criticou também a lentidão nas obras da Transnordestina e da ferrovia norte-sul.
Dilma rebateu e acusou Serra de estar "colando" os programas do governo federal.
"No seu programa de TV você fala que vai fazer justamente as obras do PAC. Nós tiramos do papel e estamos fiscalizando".
