Pacientes da Unidade de Emergência do Agreste (UE) foram surpreendidos neste final de semana com a demissão coletiva de médicos-cirurgiões, o que provocou tumulto no local. Pessoas que precisavam de atendimento ficaram à espera e constataram um problema comum em hospitais públicos: a ineficiência e falta de estrutura nas unidades hospitalares.

Sobre a demissão coletiva dos cirurgiões, o Superintendente de Atenção à Saúde, Vanilo Soares explicou que analisa a ação como algo intempestivo e lamentou. “Conseguimos resolver este problema imediatamente, enviando médicos para o local. A Sesau está adotando medidas para cabíveis para punir esses profissionais, já que a demissão ocorreu sem um comunicado”.

Ele afirmou ainda que a demissão lhe causou ‘estranheza’ já que ocorre em época de eleição. “Não podemos descartar essa possibilidade. Eles poderiam ter pedido demissão antes, mas isso só ocorreu agora no período eleitoral”, lembrou Soares.

Soares explicou ainda que mesmo com a demissão dos cirurgiões, a Sesau imediatamente enviou outros profissionais para evitar falta de atendimento. “A equipe foi levada de helicóptero para que evitar a falta de atendimento aos pacientes que lá estavam”.

A assessoria da Sesau explicou que o órgão deverá ingressar com uma ação judicial, administrava e ética contra os profissionais. O Conselho de Medicina deve ser comunicado sobre a atitude dos médicos.

A direção da Unidade de Emergência do Agreste deverá contratar médicos cirurgiões para plantão dos domingos. Uma reunião entre a direção e representantes da Sesau deve definir ainda hoje as medidas que serão adotadas. A demissão dos médicos plantonistas ocorreu devido a acordos não cumpridos, como o aumento salarial e condições de trabalho.

Denúncia

Um jornalista, que preferiu ter a identidade preservada, entrou em contato com a redação do CadaMinuto e revelou que, após sofrer um acidente, foi encaminhado à unidade e pôde constatar o problema que atinge todos que necessitam de um atendimento de urgência.

De acordo com seu relato, ao dar entrada na UE e realizar um exame de raio-X, o jornalista ficou por várias horas numa maca no corredor da unidade, sem receber um atendimento adequado. Ele informou ainda que foi surpreendido com uma enfermeira que queria coloca-lo em um colchão, no corredor.

“Já havia outros pacientes em colchões no chão do hospital. Fiquei indignado e me neguei a sair da maca. Não queria ser tratado como lixo e foi isso que aleguei aos funcionários de lá”, denunciou. O paciente disse ainda que ao indagar sobre os resultados dos exames feitos foi informado que “não tinham médicos no local, já que não haviam ido trabalhar”.

Por conta da falta de médicos, o jornalista disse que várias pessoas ficaram por horas sem atendimento, causando um verdadeiro tumulto na unidade do agreste de Alagoas. “Segundo o que pude constatar isso é um problema comum no local e foi me relatado tanto por outros pacientes como por profissionais que lá trabalham”, disse o jornalista que aproveitou a oportunidade e com a câmera do aparelho celular, fez várias filmagens no local para, segundo ele, denunciar a superlotação e ausência de atendimento.

Ao perceber que não iria receber atendimento no local, o paciente pediu para ser liberado, mas quando estava deixando a unidade, foi surpreendido pelos seguranças. “Eles me levaram até uma sala, onde estavam o diretor da unidade, a assessora de imprensa, um médico e dois policiais militares”.

O diretor ‘pediu’ para que eu apagasse os vídeos que fiz. “Um dos policiais disse que eu poderia sair do local, mas se eu apagasse os vídeos. Ele disse ainda que eu não podia entrar ‘na casa dos outros e fazer uma coisa sem permissão. Houve um tipo de coação e deu meu celular e eles deletaram os vídeos”.

Nesses vídeos, segundo o jornalista, havia imagens de pacientes pelos corredores, além de relatos de pessoas sobre o atendimento e de profissionais denunciando o descaso e o sucateamento da unidade hospitalar.

“Pelo que pude perceber, essa ineficiência no atendimento é comum. Tudo é deprimente, horrível, humilhante. Vários pacientes estavam pedindo para sair do local. Não é possível que ninguém faça nada para resolver esse problema”, desabafou.

De acordo com a assessoria de imprensa da Unidade de Emergência, a direção geral informou que no final de semana um paciente “embriagado” foi ao local e, sem permissão, gravou imagens e conversou com outras pessoas que esperavam por atendimento.

“Não houve coação, nem agressão. O diretor-médico solicitou que a pessoa apagasse as imagens dos três celulares que estavam com ela. As imagens foram apagadas pela pessoa e não por funcionários do hospital”, informou a assessoria.

Posição da Sesau

Vanilo Soares, explicou à reportagem do CadaMinuto que a superlotação não é uma realidade da Unidade de Emergência do Agreste. Soares explicou que o número de atendimentos cresce, normalmente, quando é registrado algum acidente ou incidentes.

“A superlotação não é uma realidade da UE, mas qualquer unidade pode estar submetida a passar por isso. Normalmente, só acontecem problemas desse tipo quando é registrado algum acidente grave, envolvendo várias vítimas”, relatou.