O bispo de Guarulhos, Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, afirmou em entrevista coletiva, na manhã deste sábado (23), que a produção dos folhetos - apreendidos na gráfica pela Polícia Federal - que recomendam não votar na candidata petista Dilma Rousseff, por sua posição em relação ao aborto, foi uma decisão coletiva e teve o respaldo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Acompanhado do advogado da diocese de Guarulhos, João Carlos Biagini, o bispo disse que pretende voltar a distribuir os documentos se conseguir anular a apreensão. Afirmou ainda que que o folheto é fruto de uma assembleia realizada no dia 3 de julho em que as 41 dioceses do Estado foram convidadas, sendo que 57 religiosos participaram. Desse encontro, uma diretoria representativa composta por 11 bispos escreveu o texto que, depois, ganhou a aprovação da CNBB, autoridade responsável pela permissão de tais documentos.

"Eu fiz a minha parte e não estou obrigando ninguém (a não votar em Dilma)", afirmou o bispo, que disse ter ficado surpreso com a operação de apreensão feita pela Polícia Federal na gráfica paulista pertencente a uma filiada ao PSDB, em que foram impressos os 2 milhões de folhetos.

Ele também estranhou a acusação de crime eleitoral feita por Dilma e a coligação "Para o Brasil seguir mudando". Ele quer voltar a distribuir o documento caso recupere o material após julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, previsto para ocorrer até segunda-feira (25).

O advogado João Carlos Biagini informou que a diocese estuda um pedido de representação contra o PT e a Rede Record. Em relação ao partido, a Igreja critica a divulgação feita pelo presidente nacional da sigla, José Eduardo Dutra, de que o folheto era falso. Já em relação à emissora, a reclamação é sobre uma reportagem que mostrou no ar - na opinião do advogado - uma versão distorcida do site da diocese.

Para o bispo, o documento será distribuído nos arredores da Igreja, em ruas e avenidas, e é de autoria de "leigos". "Esse movimento é de leigos, que têm liberdade de expressão", explicou.

Dom Luiz informou ainda que os R$ 30 mil utilizados na impressão dos folhetos são provenientes de doações espontânea de pessoas não ligadas a partidos políticos, mas preocupadas com o direto à vida. E que desconhecia a ligação do PSDB com a gráfica.

O bispo voltou a criticar a candidata petista e afirmou que não faz campanha para Serra. Para ele, há três alternativas para os eleitores: voto nulo, em branco ou em Serra. "Deixo a escolha de cada um".

Entre as manifestações recebidas por conta da ação do PT, Dom Luiz diz que recebeu uma carta anônima postada de uma agência dos Correios no centro de São Paulo, ameaçando-o. Por isso, no dia seguinte, fez um boletim de ocorrência numa delegacia de polícia.