O perito criminalista e professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), George Sanguinetti, responsabiliza Luiz Henrique Ferreira Romão (o ‘Macarrão’), Marcos Aparecido dos Santos (o ‘Bola’) e o menor – primo do goleiro Bruno – pelo sumiço do corpo da atriz Eliza Samúdio.
No laudo que o criminalista entrega, nesta quinta-feira (21), ele ameniza o envolvimento do atleta à omissão de socorro à vítima. “Está nos laudos. O único crime que o goleiro cometeu foi o de omissão de socorro. Afinal, após a coronhada dada pelo menor, abriu-se uma ferida na cabeça onde até o cérebro ficou exposto. Ao invés de levarem-na para um hospital a levaram para o sítio”, justificou.
O fato que ameniza o envolvimento de Bruno é o momento em que ‘Macarrão’, ‘Bola’ e o menor saem com Elisa de carro e voltam sem ela. “O meu cliente fica no sítio. Ele não tem conhecimento do que aconteceu com a vítima. Quem deve responder pelo sumiço dela são os três e não ele” declara Sanguinetti. Omissão de socorro é crime previsto no artigo 135 do código penal.
Em sua análise, o perito destaca outros pontos considerados nebulosos, na investigação. Principalmente quando o assunto são os “artifícios” utilizados pela polícia, para incriminar os acusados. “Eles se esqueceram de analisar as blusas nas casas vizinhas a de Bola. É preciso saber se as roupas são da atriz”, adiantou.
George Sanguinetti está em Alagoas. Mas, em breve, estará viajando para Minas Gerais, onde vai entregar seu laudo e promover uma entrevista coletiva para a imprensa mineira. Aqui no estado, ele concede entrevista à rádio Difusora, a pedido da Universidade Federal para qual trabalha.
Depoimento de menor
O inquérito policial também se baseia no depoimento de um adolescente envolvido no crime, o primo de Bruno. Segundo Sanguinetti, o Instituto Médico Legal de Minas Gerais emitiu um laudo sobre a oitiva (audição da autoridade da investigação, no jargão técnico) do garoto. Sanguinetti diz que isso vai além da função do órgão. O documento assegura que a descrição do garoto sobre um estrangulamento está de acordo com a realidade.
– Imagina se eles começam a emitir laudos para cada oitiva feita pela Polícia Civil?
Posteriormente, o jovem disse que inventou a história, pois estava sob o efeito de drogas. O garoto também desmentiu a versão de que o corpo de Eliza teria sido dado para ser comido por cães. Sanguinetti analisou o pátio onde os cachorros teriam devorado o cadáver. Segundo ele, não há indícios de que o suposto crime, descrito pelo menor de idade, tenha ocorrido no local.
A Polícia Civil de Minas Gerais disse, por meio da assessoria de imprensa, que não vai rebater as críticas de Sanguinetti. Segundo a polícia, as conclusões dos laudos anexos às provas que compõem os sete volumes do inquérito policial sobre o sumiço da Eliza já foram encaminhadas à Justiça.
A instituição ainda diz que coube ao Ministério Público avaliar e apresentar as denúncias. A assessoria de imprensa ressaltou que agora a questão passa a ser da ordem da Justiça e que não cabe mais à polícia comentar a questão.
Bruno e outros oito acusados respondem a processo por homicídio em Minas Gerais. Sanguinetti foi contratado no início de agosto pela defesa do goleiro Bruno. Ele já trabalhou em outros casos de repercussão na imprensa, como o caso da morte da menina Isabella Nardoni, em que as análises do médico-legista foram descartadas pela defesa após a troca de advogados que defenderam os condenados pelo crime, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.
Cronologia do Caso
2008 ou início de 2009 - Bruno, casado, conhece Eliza em um churrasco no Rio de Janeiro. Os dois começam um relacionamento extra conjugal
21 de Maio de 2009 - Eliza engravida.
Outubro de 2009 - Grávida de cinco meses, Eliza registra queixa contra Bruno, na DEAM - Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, por tentativa de sequestro, agressão e ameaça. Bruno nega ter cometido qualquer desses delitos. Após o episódio, a polícia pediu medidas protetoras que impediam o goleiro de se aproximar mais de 300 metros de Eliza e de sua família. Bruno passou a ser investigado criminalmente. Eliza foge para São Paulo e ficou na casa da mãe de uma amiga.
10 de Fevereiro de 2010 - Nasce o filho de Eliza. Bruno não reconhece a paternidade. Segundo o advogado Jader Marques, advogado do pai de Eliza, ela move um processo na Justiça para Bruno reconhecer a paternidade do filho e pagamento da pensão.
4 de junho 2010 - É o último contato feito pela família segundo o advogado Jader Marques. Amigas de Eliza contam que ela iria até Minas Gerais para conversar com Bruno, a pedido dele. A partir daí, ela não entra em contato com ninguém.
9 de junho de 2010 - Eliza é supostamente assassinada por Marcos Aparecido dos Santos, o "Bola"
24 e 25 de junho de 2010 - Pelo 181 (Disque-denúncia), a polícia recebe denúncias que Eliza teria sido agredida, morta, suas roupas teriam sidas queimadas e o corpo ocultado em um sítio do atleta Bruno em Esmeraldas, Minas Gerais. Desde então o sítio é vigiado.
25 de junho de 2010 - Dayane de Souza, mulher de Bruno presta depoimento junto com dois funcionários do sítio. Dayane é atuada e detida por subtração de incapaz e depois liberada.
26 de junho de 2010 - O filho de Eliza é encontrado pela policia na madrugada do dia 26 na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
27 de junho de 2010 - Pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio, vai para Contagem, MG buscar o neto que estava em um abrigo. Policiais militares e bombeiros tentaram entrar no sítio mas não conseguem pois não conseguiram um mandado judicial.
28 de junho de 2010 - Luiz Carlos Samudio volta para Foz do Iguaçu com o neto. A policia faz buscas no sítio do goleiro em busca do corpo de Eliza. Foram encontradas roupas de mulher, objetos de criança além de fraldas.
2 de julho de 2010 - Sônia Fátima Moura, mãe de Eliza pede a guarda do neto. Peritos examinam um carro do atleta do Flamengo, que tinha sido apreendido em uma blitz em junho, porque os documentos estavam irregulares. Segundo a polícia vestígios de sangue de Eliza foram encontrados no veículo.
5 de julho de 2010 - A polícia recebe uma denuncia, dizendo que o corpo da vitima foi jogado em uma lagoa em Ribeirão das Neves, Minas Gerais.
6 de julho de 2010 - Um menor de 17 anos, que foi apreendido no apartamento do Bruno, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, depõe na Delegacia de Homicídios da Barra da Tijuca. Ele afirma que participou do seqüestro da ex-amante do jogador, e deu coronhadas na vitima. Nas quatro páginas de inquérito em que relatam um crime atroz, Eliza teve os braços amarrados com uma corda e foi estrangulada por Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como bola, um ex-policial. Ainda segundo o menor ouvido pela polícia, após ter estrangulado Eliza, Bola pediu para que todos deixassem o local. Depois, seguiu em direção a um canil, carregando um saco que supostamente continha o cadáver esquartejado de Eliza. Ainda segundo o adolescente, a mão de Eliza foi jogada para cachorros da raça Rottweiler.
7 de julho de 2010 - A prisão preventiva de Bruno e de mais sete pessoas foram expedidas pela Justiça de Minas. O mandado de internação do jovem que prestou depoimento no dia 06 de julho. A Justiça de Rio de Janeiro também havia expedido a prisão preventiva para Bruno e Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão pelo sequestro e cárcere privado de Eliza Silva Samúdio, em outubro de 2009[28]. Bruno e Macarrão se entregam à polícia no Rio de Janeiro. Ambos foram levados para Polinter do Andaraí. Antes das 14h30, os dois foram levados ao Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu. Segundo a Secretaria de estado de Administração Penitenciária (Seap), Bruno e Macarrão estão na Penitenciária Alfredo Tranjan Bangu 2. Policia mineira pede a transferência imediata de Bruno e Macarrão para Minas. A 38ª Vara Criminal do Rio atendeu ao pedido e determinou na tarde de quinta-feira a transferência do goleiro Bruno e seu amigo Luiz Henrique Romão, também conhecido como Macarrão, para Minas Gerais.
8 de julho de 2010 - Mãe de Eliza consegue a guarda provisória na Justiça do neto de 4 meses. A criança estava na casa do avô materno em Foz do Iguaçu.
9 de julho de 2010 - Bruno e os outros suspeitos no desaparecimento de Eliza Samudio são mantidos presos na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os presos estão em celas isoladas, de 6m² e sem comunicação entre elas.
30 de julho de 2010 - O inquérito é entregue. Bruno, Macarrão, Bola e mais seis pessoas são indiciadas.
