A França viveu hoje um novo dia de protestos contra a reforma da previdência, com a mobilização de 825 mil manifestantes, pelas contas do Governo, e de três milhões, segundo os sindicatos, na nona manifestação desde março.
Enquanto isso, prossegue o bloqueio das refinarias, que concentram a atenção do país, já que a obstrução já traz consequências para as provisões de combustível, apesar de o Governo francês assegurar que não há nenhum risco de desabastecimento.
As 12 refinarias do país estiveram fechadas nos últimos dias, levando a patronal do setor a fazer uso do combustível armazenado.
Os sindicalistas, no entanto, bloquearam ontem alguns destes depósitos, deixando mais de 100 postos de gasolina sem combustível.
A situação teve melhoras hoje, quando o acesso aos depósitos não sofreu perturbações, mas o pânico de alguns consumidores fez com que o combustível faltasse em 200 estações.
O principal problema é registrado no aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, o maior do país, onde o oleoduto que alimenta as reservas de combustíveis para os aviões está parado e a expectativa é que as provisões durem apenas mais dois dias, o que levou o Governo a estudar alternativas para o fornecimento.
A mensagem do Executivo é de tranquilidade, mas algumas companhias aéreas já mostraram inquietação pela situação.
Segundo o diário "La Tribune", a Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) pediu que os aviões de companhias que realizam voos de longa distância cheguem a Paris o mais carregados possível para assegurar o retorno.
Além do bloqueio das refinarias, trabalhadores ferroviários mantêm interrupções nos trens, enquanto alguns caminhoneiros iniciaram movimentos de obstrução em estradas.
Também estão parados os depósitos de gás natural e muitos dos portos de mercadorias do país.
Em paralelo a esta situação, as passeatas de hoje - quatro dias depois da última greve geral - pareceram mobilizar menos pessoas do que nas últimas manifestações, segundo os números do Governo.
Mesmo argumentando que a concentração deste sábado levou três milhões de pessoas às ruas, assim como nos movimentos do dia 2, os sindicatos culparam a chuva e o frio por a mobilização não ter sido maior.
Segundo o Governo francês, 825 mil pessoas participaram hoje das 200 concentrações convocadas, o que representa o menor número desde setembro.
Trata-se da primeira boa notícia para o Executivo com relação à reforma da previdência, depois que nas últimas semanas foi observada a adesão de novos setores à greve sem prazo definido, entre eles os estudantes.
A menor mobilização é fruto da política do Governo, indicaram alguns de seus membros, que assinalaram que os cidadãos estão seguindo os debates no Senado, que deve votar a reforma na próxima quarta-feira. Por isso os sindicatos marcaram uma greve geral para a véspera.
Será a verdadeira prova de fogo para a estratégia da oposição à reforma da previdência, enquanto a frente sindical parece perder sua unidade.
Alguns líderes apostam no aumento da pressão e na manutenção das interrupções em setores estratégicos, como o de transportes e o de energia.
Outros consideram que o avanço da reforma no Legislativo os obriga a mudar de tática e negociar com o Governo outras concessões, para que a imagem sindical não termine manchada por um fracasso.
Na próxima quarta-feira os sindicatos se reunirão para decidir como continuará o movimento.