A secretária Nacional de Defesa Civil, Ivone Maria Valente, afirmou nesta quinta-feira, que a prefeitura de Guaratinga, a 699 km de Salvador, que inventou um decreto de emergência para receber verba federal e, com isso, iria beneficiar supostos apadrinhados com a contratação de empresa sem licitação, será obrigada a devolver os R$ 2 milhões que recebeu no dia 6 de agosto deste ano do Ministério da Integração Nacional.

Após denúncia do jornal A Tarde, em agosto passado, técnicos da Secretaria Nacional de Defesa Civil visitaram a cidade e constataram que as obras caracterizadas como de "emergência" pela prefeitura local são de "prevenção". A secretária Ivone Maria Valente disse que, "por enquanto, não há verba disponível no ministério para obras de prevenção, e que a prefeitura terá de devolver toda a verba recebida". A utilização da verba federal já tinha sido proibida pela Justiça local.

Os problemas ocorridos em Guaratinga por conta de suspostos 280 mm de chuva teriam sido "deslizamento de encostas, alagamento de ruas, a destruição de estradas vicinais, casas e bueiros e quebra de duas pontes". Segundo meteorologistas do Inmet, esse índice daria para acabar com a cidade, caso tivesse sido registrado. Em 20 de setembro deste ano, o prefeito de Guaratinga, Ademar Pinto Rosa (PMDB), que não foi encontrado nesta quinta-feira, revogou o decreto.

Para tentar justificar a suposta fraude no decreto, ele disse que houve erro de digitação no trecho do documento que se refere aos 280 mm de chuva.