O senador Fernando Collor de Mello (PTB) e o candidato ao Governo do Estado Ronaldo Lessa (PDT) selaram um acordo que põe fim a um embate direto que se alastra desde 1986. Eles que se enfrentaram, diretamente, em todas as duas trajetórias políticas estão lado a lado na oposição ao Governo do Estado.

As coligações se uniram em prol da candidatura de Lessa, nesta quinta-feira. Collor que era o candidato da chapa “O povo no poder” – com o apoio dos partidos PTB, PRB, PMN, PTC, PSL e PHS – conclamou a decisão unânime, tomada por todos os partidos de sua base aliada, com o total e irrestrito apoio à candidatura pedetista, sem abrir mão de nenhum dos seus filiados: cobrando obediência e fidelidade partidária.

Com isso, a sigla cria uma pré-indisposição com sua deputada federal eleita, Célia Rocha (PTB). A ex-prefeita de Arapiraca, em entrevista a uma rádio, disse que não consegue esconder seu voto ao grupo adversário, do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB). Ao ser questionado, pela equipe de reportagem do Cada Minuto, o senador tentou esclarecer a questão.

“Estive em contato, pelo menos, duas vezes com a Célia. A informação não representa o fato ocorrido. Ela me garantiu que não saiu em defesa do candidato adversário. Célia disse que estava muito emocionada, como já é de costume dela. Mas ela assumiu um compromisso comigo, seguir rigorosamente o candidato Ronaldo Lessa e a futura presidente Dilma Rousseff”, explicou Collor. A ausência da deputada federal arapiraquense foi sentida no encontro.

Além de Collor e Lessa, também estavam presentes o deputado federal Francisco Tenório (PMN), os vices Joaquim Brito (PT) e Galba Novaes (PRB). Além de lideranças políticas das duas coligações.

União se dá pró-Dilma

Ao serem questionados sobre o que motivou tal união, os ex-adversários ressaltaram que os seus projetos para o Estado se convergem em vários aspectos. No entanto, o fator determinante foi o palanque de Dilma. “Estamos consolidando esta parceria por sermos da mesma base aliada em Brasília, mas, principalmente, para tentar responder um anseio de insatisfação social que foi o resultado das urnas”, declara o pedetista.

Em sua defesa, o ex-presidente ressalta que a maioria dos candidatos à reeleição saiu vitoriosa no primeiro turno. “Em Alagoas, isso não aconteceu. É um reflexo de que a população não está de acordo com a atual gestão. Agora, é a hora de unirmos forças para conseguir colocar o Estado no trilho de novo”, frisou.

Aproveitando o momento, Lessa indicou que não será só o petebista que deve estar em seu palanque neste segundo turno. “Na noite desta quarta (06), passei horas conversando com o Mário Agra (PSOL). Ele me passou a procuração de confiança, que eu sou o representante da mudança e me garantiu total apoio. O mesmo fiz com o PRTB, não diretamente com o Jefferson Piones, mas obtive o mesmo comprometimento. Agora, só falta Tony Cloves (PCB) para fecharmos a coalizão em prol de Alagoas”, concluiu.