Peças da Fundação Casa do Penedo – autora do projeto que dará à cidade ribeirinha o primeiro museu federal do Nordeste (Museu do São Francisco) - emprestou peças de seu acervo para a exposição Pioneiros e Empreendedores – A saga do Desenvolvimento no Brasil, que está acontecendo desde o dia 28 de setembro no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. A Casa do Penedo emprestou peças, a exemplo dos estribos de prata que pertenceram ao empresário cearense Delmiro Gouveia. O evento expõe acervos valiosos de todo o Brasil.

Delmiro começou a trabalhar aos 15 anos e exerceu os ofícios de bilheteiro, chefe de estação de trem e caixeiro viajante, mas sua experiência empresarial começou com a criação de uma fábrica de linhas em pleno Sertão, a Linhas Estrela. Para isso, mudou o curso dos rios, construiu açudes e hidrelétricas, importou maquinário, fez estradas e empregou mão de obra da região. Entre seus empreendimentos de sucesso estavam refinaria e destilaria de açúcar; construção de açudes e a instalação da primeira hidrelétrica do Rio São Francisco.

A mostra faz referência a empresários e objetos que simbolizam as transformações que culminaram com o crescimento do país nos dois últimos séculos. Uma carabina do tempo do império, um velho livro de contabilidade e uma câmera da TV Globo dos anos 70 ilustram a mostra e atrai olhares de estudantes, pesquisadores e interessados em museus.

Segundo o curador David, do museu do Rio de Janeiro, o país cresceu com as ideias e inovações de homens que viveram à frente de seu tempo, criando as grandes empresas brasileiras. De acordo com ele, nas salas do Museu Histórico Nacional, telas interativas mostram as biografias desses pioneiros, que se misturam à história do desenvolvimento do Brasil.

Para contar essa história, foram escolhidos 24 empreendedores que viam nos desafios oportunidades, a exemplo do Barão de Mauá, que criou estaleiros, ferrovias e a primeira companhia de eletricidade do Brasil e do jornalista Roberto Marinho, que aos 20 anos começou a trabalhar no jornal da família e aos 60 montou a Rede Globo. O professor, médico e historiador, Francisco Sales, da Fundação Casa do Penedo, definiu como um privilégio participar de um evento deste porte.

“Confere grande prestígio à Casa do Penedo participar de uma exposição desta envergadura. A exposição é um importante resgate da memória do nosso país. A curadoria e o local onde ela acontece, um dos mais importantes do país, nos engrandecem e nos referendam”, afirmou Sales.
Por Maryland Wanderley