Mais de 30 pessoas, a maioria combatentes, morreram nesta segunda nos enfrentamentos ocorridos em Mogadíscio, onde as tropas do Governo, apoiadas pelas da União Africana (UA), recuperaram posições após disputas internas terem provocado a retirada de milicianos radicais islâmicos.
As tropas do Governo de Transição, apoiadas pelos soldados da Missão da UA na Somália (Amisom, na sigla em inglês), tomaram bairros que estavam ocupados por milicianos da Al Shabab, organização ligada à Al-Qaeda, segundo um comunicado divulgado pelo Ministério de Informação.
O comunicado destaca que as disputas na direção da Al Shabab levaram Mukhtar Robow Ali, segundo nome no comando da milícia e conhecido como "Abu Mansur", a retirar seus combatentes da frente da capital somali.
O chefe das forças governamentais na região, Mohamed Roble Gobanle, disse à agência EFE por telefone que tinham avançado sobre uma ampla área que até agora estava ocupada pela Al Shabab, grupo que luta para derrubar o presidente interino, Sharif Sheikh Ahmed, que tem apoio da comunidade internacional.
O comandante disse ainda que as tropas do Governo tinham sofrido seis baixas mortais e que haviam dez feridos, mas que mais de 20 corpos de combatentes da Al Shabab estavam dispostos nas zonas tomadas.
O porta-voz militar da organização, Abu Musab, negou à EFE estas afirmações e assegurou que suas tropas estão "intactas" e que "não sofreram perdas nos combates".
Estes últimos combates em Mogadíscio começaram há dois dias, quando soldados burundineses da Amisom atacaram e tomaram uma posição da Al Shabab no sábado. Durante o fim de semana, foram registrados 15 mortos.
Ali Moussa Mohamud, diretor do Sistema Voluntário de Ambulâncias de Mogadíscio, disse à Efe que foram registrados 32 mortos e 54 feridos nos combates de hoje, e especificou que "26 dos mortos eram combatentes, porque os civis abandonaram estas áreas há muito tempo".
O Governo declarou vitória sobre a Al Shabab e frisou em seu comunicado que estas ações puderam ser perpetradas porque os milicianos foram impedidos de se esconder "atrás dos civis", o que também reduziu o número de vítimas civis na cidade.
"A retirada das forças de Robow foi ocasionada por uma divisão em seu clã e disputas sobre o comando e a função dos combatentes estrangeiros na Al Shabab, além das abundantes baixas que sofreram na ofensiva do Ramadã", assinala a nota oficial.
Para a Al Shabab, a retirada das tropas de Abu Mansur pode ser muito grave, pois se trata do principal líder militar do grupo, que pertence ao clã Rahanweyn, do qual fazem parte aproximadamente metade dos milicianos da organização radical.
Enquanto isso, seguem as disputas no Governo de transição, paralisado desde que, há duas semanas, o presidente Ahmed aceitou a renúncia do primeiro-ministro Omar Abdirashid Ali Sharmarke, que ainda não tem sucessor.
Desde que Siad Barre foi derrubado, em 1991, a Somália não tem um Governo efetivo e seu território está controlado por milícias radicais islâmicas e senhores da guerra tribais.
A Al Shabab tem apoio de centenas de combatentes estrangeiros relacionados com a Al-Qaeda e pretende derrubar o Governo para criar um estado muçulmano radical.