Um bombardeio teleguiado atribuído aos Estados Unidos matou na segunda-feira oito militantes de nacionalidade alemã no noroeste do Paquistão, segundo fontes locais de inteligência.
O ataque, que atingiu uma mesquita na localidade de Mirali, ocorreu um dia depois que os EUA e a Grã-Bretanha alertaram para um aumento no risco de atentados terroristas na Europa.
Na semana passada, fontes de segurança haviam dito que um grupo que atua no norte do Paquistão supostamente estaria tramando atentados.
Os militantes eram membros do grupo Jihad Islami, segundo fontes da inteligência paquistanesa. Não foi possível confirmar de forma independente essa versão, e os militantes têm por hábito desmentirem as operações de que são alvo.
"As pessoas estavam se reunindo na mesquita para orações quando um míssil atingiu o prédio", disse Mohammad Alam, morador de Mirali, por telefone à Reuters. "A área foi isolada por militantes e eles não estão deixando ninguém entrar."
Os Estados Unidos têm intensificado seus bombardeios teleguiados contra militantes islâmicos no noroeste paquistanês — só em setembro foram 21 ataques, maior número em um só mês.
Não está claro, no entanto, qual a relação dessas operações com as suspeitas de complôs terroristas na Europa.
O governo do Paquistão, embora seja aliado da Otan, tem protestado contra os bombardeios, e bloqueou uma rota de abastecimento para as forças ocidentais no Afeganistão em represália a um ataque que matou três soldados paquistaneses na semana passada.
O alerta feito no domingo sobre atentados na Europa se baseou em informações sobre um grupo de indivíduos — alguns deles cidadãos europeus — que estariam agindo no montanhoso norte paquistanês.
A imprensa diz que as informações foram reveladas por Ahmed Sidiqi, um alemão de origem afegã, que supostamente está preso desde julho na base militar norte-americana de Bagram, no Afeganistão.
Os EUA e seus aliados dizem que os bombardeios com aviões teleguiados são muito úteis no combate à Al Qaeda, mas o Paquistão se queixa das vítimas civis deixadas por esses ataques, e temem que isso complique seus próprios esforços para enfrentar os militantes.
Analistas dizem, porém, que não seria possível alvejar alvos de alto valor sem a ajuda dos serviços paquistaneses de inteligência.
(Reportagem adicional de Kamran Haider, em Islamabad; e de William Maclean, em Londres)