A cada 34 horas, um policial militar estando de folga ou emserviço é morto ou alvejado a tiros ou estilhaços de granada no Estado do Rio de Janeiro. A conclusão é de um levantamento feito pelo R7 com base nos dados repassados pelo NAPMF (Núcleo de Atendimento ao Policial Militar Ferido) e do Grupo de Apoio à Família do Policial Morto da corporação fluminense.

Segundo as estatísticas, entre janeiro e agosto deste ano, ao menos 170 PMs foram feridos ou assassinados por criminosos no Estado, o que resulta em uma média de uma ocorrência em menos de um dia e meio. Os dados de setembro ainda não foram totalizados.

O R7 apurou junto aos núcleos que, nos primeiros oito meses do ano, 116 policiais foram alvejados a tiros e estilhaços de bomba, mas sobreviveram. Outros 54 acabaram mortos, sendo que 11 já não estavam mais na ativa.

Os números indicam que o perigo maior para o policial acontece quando ele está de folga. Dos 116 feridos, 61 não trabalhavam no momento do fato e 55 estavam em combate. Entre os policiais da ativa que acabaram assassinados, 31 não estavam de serviço.

Hoje, pelo menos seis PMs feridos estão internados no hospital da corporação se recuperando, segundo informações do coronel José Luiz do Santos Sampaio, chefe do NAPMF. Um deles é um cabo que foi ferido gravemente por estilhaços de granada na cabeça durante um confronto com traficantes da favela Vila Cruzeiro, na Penha, na zona norte, em julho.

A maioria das mortes de PMs em folga ocorrida este ano se deu em casos em que o policial reagiu a um assalto ou tentou impedir um roubo. Foram ao menos 17 histórias semelhantes. Logo em seguida, aparecem fatos em que o PM foi atacado possivelmente por vingança ou "queima de arquivo".

Só na última semana, seis policiais militares foram assassinados no Estado quando estavam de folga. Um deles era segurança da família do comandante-geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, e morreu em São Gonçalo, na região metropolitana, ao tentar reagir a um assalto. Essas mortes não foram incluídas na estatística.

Em relação às mortes de PMs de serviço, nem todas foram em confrontos. Um dos policiais, por exemplo, foi assassinado dentro de um quartel por um colega. Um outro PM foi morto quando estava parado em um carro da corporação no Rio Comprido, na zona norte. Ele foi atacado, perdeu a sua arma e não teve a chance de se defender.