O presidente egípcio, Hosni Mubarak, afirmou nesta segunda-feira que, se o processo de paz entre palestinos e israelenses fracassar, haverá aumento do terrorismo no Oriente Médio e em todo o mundo.

"Pelos contatos que mantenho, preciso advertir que haverá um aumento da violência e do terrorismo na região e no mundo se as negociações entre os palestinos e Israel fracassarem", disse Mubarak em entrevista, segundo a agência oficial egípcia Mena.

O presidente egípcio acrescentou que seu país continuará seus esforços para tentar salvar o processo de paz, que se viu ameaçado pela decisão de Israel de retomar a construção nas colônias após dez meses de suspensão.

"Vamos continuar nossos contatos com a parte israelense, Estados Unidos e Europa para garantir a paz", disse Mubarak, que acrescentou que este era o objetivo de sua última vista à Itália e à Alemanha.

O presidente egípcio revelou que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, entrou em contato com ele em duas ocasiões para encontrar "uma saída para o atual dilema".

"Eu lhe disse que o reinício da construção de assentamentos dificulta as negociações e trava o processo de paz", acrescentou.

Israelenses e palestinos retomaram as negociações diretas de paz no início de setembro em Washington, após quase dois anos de suspensão e após quatro meses de contatos indiretos graças à mediação americana.

Esse diálogo será o tema principal de uma reunião do Comitê de Acompanhamento da Iniciativa de Paz Árabe, que será realizado pela Liga Árabe em 8 de outubro na cidade de Sirte (Líbia).

"Não faz sentido iniciar as negociações e depois parar pela reconstrução dos assentamentos", afirmou Mubarak, quem expressou sua esperança de que Israel "adote posturas positivas e responsáveis para salvar as negociações de paz".

O presidente egípcio também analisou outros temas da atualidade como o projeto nuclear iraniano, que ele considera válido, desde que para fins pacíficos.

"O Irã tem todo o direito de desenvolver seu projeto nuclear para uso pacífico. Espero que o país continue cooperando com a Agência Internacional de Energia Atômica e com a comunidade internacional para demonstrar sua intenção pacífica e evitar um desastre que pode afetar todos", declarou.

Mubarak ressaltou que "o Oriente Médio não necessita de armas nucleares, sejam de Israel ou do Irã, pois isto" pode levar "a uma corrida armamentista" na região.

Por outro lado, o presidente egípcio destacou a importância do trabalho mediador da Turquia nos conflitos da região, e afirmou que não há diferenças entre este país e o Egito, pois os dois têm o mesmo objetivo, que é conseguir a paz no Oriente Médio.

Ele também comentou a situação no Líbano e a tensão existente pela troca de acusações sobre o assassinato em 2005 do ex-primeiro-ministro Saad Hariri e a possibilidade de o grupo xiita Hisbolá ser o responsável.

"O destino do Líbano e a convivência entre as distintas comunidades não deve depender da resolução do tribunal (da ONU)", ressaltou.

Mubarak também se referiu à instabilidade política no Iraque e pediu ao povo iraquiano que chegue a um acordo para formar um Governo que represente "todas as tendências políticas e que mantenha a recuperação da estabilidade fora do radicalismo".

O presidente egípcio comentou ainda que as eleições parlamentares no país no final de novembro serão "muito transparentes" e fez um apelo a todos os partidos para que apresentem "seus melhores candidatos".