As pesquisas lhe davam chances remotas de ir ao segundo turno, mas ela subia a escada radiante, cantarolando o próprio jingle, como se estivesse prestes a receber a faixa presidencial.

A dois dias da eleição, Marina Silva era só entusiasmo ao chegar a seu comitê eleitoral anteontem à tarde, após um debate que invadiu a madrugada, uma ponte-aérea, três entrevistas e um tumultuado corpo a corpo debaixo de chuva no viaduto do Chá.

Aos 52 anos, a candidata do PV ao Planalto quer dar hoje novo significado a um antigo clichê do vocabulário político: perder nas urnas, mas sair maior da eleição. Ou "perder ganhando", na versão reciclada do "marinês".

Marina ficará em terceiro lugar com mais de 15 milhões de votos, segundo projeções. Neste caso, deixa a disputa com dois desafios: manter a agenda ambientalista em alta e pavimentar o caminho para tentar de novo em 2014.

"Ainda que não vá ao segundo turno, ela sai conhecida nacionalmente e com um capital político extraordinário. Temos um projeto, e este projeto não tem data", diz o aliado Luciano Zica.